Prólogo

O ATOR E AS CIDADES

O homem está na cidade
como uma coisa está em outra
e a cidade está no homem
que está em outra cidade

.....................................

A arte do ator é feita de chegadas e partidas, a cada cidade uma nova experiência, em cada uma ele deixa um pouco de si e leva um pouco de tudo: rostos, risos, lágrimas, histórias, vivências, sensações. O trânsito, a mobilidade é a pátria do despatriado ator, vagar entre culturas, costumes e tempos diferentes é sua sina e paixão, pois ele se compõe e recompõe de cada momento. Tolo é aquele que pensa que a arte morre, tem seu lugar determinado por marcas geográficas, por cronologias... a arte foge de todo e qualquer enquadramento, não cabe no mapa, pois é cigana, não (re)conhece fronteiras, ela se constitui a partir do trânsito, do vagabundear do ator, seu veículo. Em sua carne e expressões ela ganha corpo e reflete os rostos de todos os homens de todos os tempos, arguta e criativa, ela mimetiza o mundo e esse seu habitante conturbado, o Homem e é adsorvida por ele.

A 24ª Semana Luiz Antônio traz a criativa itinerância que brota da releitura de grandes clássicos, de personagens que vagaram pelo mundo e foram incorporando os novos tempos, as novas cidades e estéticas. Em seus corações pulsam as lembranças da origem, mas em suas vestes o novo, o arrojado trânsito por locais insondáveis. E como diz o poeta:


a cidade está no homem
quase como a árvore voa
no pássaro que a deixa.

Ferreira Gullar



Evoé! e muita Lu(i)z...



Flávia Marquetti



sexta-feira, 8 de junho de 2012

PROGRAMAÇÃO




Dia 15 de Junho - sexta

20h – Abertura
O Bom Quixote – Delírio Urbano
Grupo UEBA Produtos Notáveis (Caxias do Sul- RS)
Praça Pedro de Toledo

Dia 16 de Junho - sábado

15h – Oficina de Teatro de Rua
Com Grupo UEBA – Produtos Notáveis 
Centro de Artes e Ofícios Judith Lauand /  Oficina Cultural Regional Lélia Abramo
Inscrições: (16) 3336-8047 / (16) 3324-3946

19h - Personagens no Museu
Com Di Souza e Patrícia Diniz
Museu Histórico Voluntários da Pátria

20h30 - Felinícias - Histórias de Amor e Clowns
Grupo UEBA Produtos Notáveis (Caxias do Sul- RS)
Teatro Municipal
Distribuição de convites a partir das 13h

23h – Pocket Show: Alex Lima e Banda
Apresentação de Marcela Barbosa
Teatro Wallace Leal Valentim Rodrigues

Dia 17 de Junho  - domingo

11h – A Incrível Batalha pelo Tesouro de Laduê
Cias Estrela D´Alva e Lona de Retalhos
SESC Araraquara
Distribuição de convites partir das 9h30

18h – Intervenção Itinerante
Em Trânsito na LudiCidade
Partida do ônibus: atrás do Teatro Municipal.
Lugares limitados: convites a partir das 17h

20h30 – Histórias Para Serem Contadas
Com Grupo Pombas Urbanas (SP)
Quadra da Casa da Cultura

Dia 18 de Junho  - segunda

12h – Olhem Outra Vez
Com Sabrina Kelly
Rua São Bento (em frente à Casa da Cultura)

20h30 – O Homem do Princípio ao Fim
Montagem dos Alunos do Curso Técnico em Arte Dramática (Prefeitura/ SENAC)
Teatro Municipal
Distribuição de convites a partir das 13h

Dia 19 de Junho  - terça

19h – Café de Investigação
Convidado: Weber Fonseca
Saguão do Teatro Municipal

20h30 – Sobre_Vôo
Minha Preta Teresa Teatro e Reinações
Teatro Municipal
Distribuição de convites a partir das 13 h

Dia 20 de Junho  - quarta

18h – Olhem Outra Vez
Com Sabrina Kelly
Rua 9 de Julho

20h – Talagada
Com  Olaria GB
SESC Araraquara
Ingressos à venda no SESC Araraquara


Dia 21 de Junho  - quinta

19h – Café de Investigação com Eduardo Okamoto (Projeto OfiCena)
SESC Araraquara

19h  e  21h30 – Orinoco
Com Bete Dorgam e Daniela Carmona.
Direção: Dagoberto Feliz
Teatro Municipal
Distribuição de convites a partir das 13h

Dia 22 de Junho  - sexta

10h30 e 16h – Gato com Pata de Cachorro (Mais Arte na Escola)
Trupe Lúdica
CER  José Amaral Velosa - Jd. Paulistano

20h30 – Penélope Vergueiro
Penélope Cia de Teatro (SP)
Teatro Municipal

22h / 22h45 / 23h30
Instalação Cênica Fluxo – Bambusoideae
Projeto Antrópicos
Chácara Sapucaia

Dia 23 de Junho  - sábado

10h – Funk-se Orpheu
Galpão 6
Praça Pedro de Toledo

19h – Lua e Sol no Coração do Sertão
Cia Os Fidiarvim
Teatro Municipal
Distribuição de convites a partir das 13h

21h30 – Funk-se Orpheu
Galpão 6
Saguão do Teatro Municipal
Convites limitados a partir das 13 h

Dia 24 de Junho - domingo

11h- Branca de Neve?
Cia Etc e Tal (RJ)
SESC Araraquara

16h – Meu Trabalho de Aimirim
Cia Tarcio Costa
Teatro Municipal
Distribuição de convites a partir das 13 h

16h - Oficina de Teatro Hip Hop
com Cláudia Schapira e Luaa Gabanini
Teatro Wallace Leal V. Rodrigues
Inscrições gratuitas: 3322-2770

17h – Olhem Outra Vez com Sabrina Kelly
Praça do Daae

Encerramento da 24ª SLAMC:
19h – A Pereira da Tia Miséria  
Núcleo As de Paus (Londrina - PR)
Quadra de Eventos da Casa da Cultura

20h - ZAP! - Zona Autônoma da Palavra
Com Núcleo Bartolomeu de Depoimentos (SP)
Teatro Wallace Leal V. Rodrigues

Exposições:

Cenas das Semanas de Lu(i)z
Casa da Cultura Luiz Antônio Martinez Corrêa

Mostra Ariovaldo dos Santos
Texc: Um Ideal de Vida
Centro de Artes e Ofícios Judith Lauand  


quarta-feira, 6 de junho de 2012

terça-feira, 28 de junho de 2011

Esta é a primeira vez que participo deste acontecimento cultural que chega agora à sua 23ª edição: Semana Luiz Antonio Martinez Corrêa. Essa maratona - mais de 20 espetáculos de teatro, exposições, mesa redonda, cafés de investigação, shows de música, ao longo de 10 dias – só vem confirmar a vocação teatral de Araraquara. Agradeço o convite da Euzânia, do Jorge e as boas vindas da Flávia, grato, grato, muito grato... Exercitar meu olhar, minha atenção e minha capacidade de traduzir o que eu assisti nesses dez dias só me fez aprender mais... Com uma alegria e um prazer que há muito não experimentava.

Conheci o Luiz Antônio em 1967 durante a apresentação do show de calouros (Bishow) no antigo Centro Acadêmico Faculdade de Filosofia Ciências e Letras (hoje Casa da Cultura que tem seu nome). Naquela noite o Luiz me convidou para integrar o TECO (Teatro de Colégio) que nesse mesmo ano transformamos em TUA (Teatro Universitário de Araraquara). Durante cinco anos, dirigido por ele, o TUA foi o manifesto vivo da nossa rebeldia. Palco de uma história que fico feliz de compartilhar com os novos e os jovens amigos que agora fiz. Obrigado Luiz...

Eduardo Montagnari (Tatoo)

segunda-feira, 27 de junho de 2011

OLHOS NOS OLHOS COM BIA E LARISSA

 Vocês têm razão, meninas, a 23ª SLAMC foi bastante diversificada, como deve ser um festival que se propõe apresentar e discutir essa ampla esfera que é o fazer teatral. Pois é a partir dessa diversidade de formas, espaços, estéticas, temas que nós construímos um olhar crítico. É bom ver aquilo a que já nos habituamos, mas também o novo, o estranho o ousado, experimentar é a base de tudo, tanto para o ator/diretor, quanto para o espectador.  E poder voltar a ser criança é um prazer que a gente sempre deve se proporcionar.
Flávia Marquetti

domingo, 26 de junho de 2011

O OLHAR SONORO DO BATE LATA

O último dia da 23ª SLAMC teve o espetáculo Bate Lata e Vira Lata, da Cia Tárcio Costa, também de Araraquara. Desculpa aí Tárcio, eu postei, na onda do povo, que o Chá das Duas era a única peça da cidade e esqueci de você.

A Cia, mesmo com o frio e o vento, esquentou a platéia, sempre muito divertidos, brincando com o público adulto e infantil, fizeram o show. Mesclando música e, digamos, esquetes teatrais, o Bate Late apresenta uma proposta lúdica e educativa (como em outros trabalhos) que visa despertar a consciência ecológica ao utilizar, além dos instrumentos musicais tradicionais, sucatas para fazer som... e som de boa qualidade, que fez o público infantil dançar, rir e o adulto também, por sinal, os adultos sempre aproveitam a desculpa de levar as crianças para se esbaldarem nas peças, foi assim no Gato Malhado (que teve marmanjo chorando de rir na platéia), e hoje, com o Bate Late, com direito a participação especial no espetáculo.

Não posso deixar de chamar a atenção para a simpática indumentária do grupo, sobretudo a camiseta... com as claves de sol e de fá formando um coração. Amor pelo teatro, pela música! Nada mais adequado para o encerramento da semana. Agora é esperar a 24ª... já bateu saudades.

Deixo aqui o meu mais sincero agradecimento a todos os atores, diretores, produtores, iluminadores, contra regras, enfim, todos que transmutam sonho em “realidade” no palco e, apesar de todas as dificuldades, encaram a estrada e fazem o mundo ser mais HUMANO, trazendo olhares coloridos e diferentes para o cotidiano cinza da cidade. Não é à toa que, desde o surgimento da primeira trupe de teatro, eles têm passagem livre por todo o mundo, mesmo em períodos de guerra. Valeu! Evoé, embaixadores da vida!!!


Flávia Marquetti
BATE LATA E VIRA LATA


Eu poderia desfiar um rosário de bons adjetivos para expressar a qualidade do trabalho da Cia Tárcio Costa. Eu já tinha ficado encantado com o que tinha visto em vídeo. Pensei na ocasião em como Araraquara tem sorte de poder contar com um trabalho como o que Tárcio Costa conduz.

Durante muito tempo colaborei na seleção de espetáculos para o Festival Nacional de Teatro Infantil de Blumenau... Ainda que muita coisa, bons grupos, bons artistas, boa dramaturgia, grandes direções circulem pelo universo disso que chamamos teatro infantil, não são exatamente bons trabalhos que alimentam o comum desse teatro. Tárcio Costa tem luz própria nesse universo.

Inteligente. Muito inteligente. Sensível. Muito sensível. Criativo. Muito criativo. Interativo. Muito interativo... Tudo isso e muito mais desenha o perfil do Bate Lata e Vira Lata que vimos esta tarde. Três músicos/atores puderam demonstrar com habilidade a máxima de Bertolt Brecht de que falamos no início da Semana Luiz Antônio: a de “há muitos objetos em um só objeto”, inclusive sonoros, musicais... Baldes, garrafas, chinelos são objetos que o talento de Tárcio Costa transformou em instrumentos musicais com a colaboração de Raquel Nascimento e Luiz Carlos Ferreira (músicos/atores).

Direção, texto e canções eficientes... Certamente que ao ar livre apresentação do grupo é diferente de uma apresentação em um palco de teatro. Mas, nem por isso menor... Ficamos sem a iluminação de Rodrigo de Prince (que estava no som, creio), mas em cena estavam as cores dos figurinos de Marilaine de Souza... Vale dizer ainda, que o empenho dos atores numa tarde que nos brindava com um vento frio, foi louvável (tanto quanto a permanência do público). Assim, ali na pequena Praça do Daae, as crianças e adultos presentes puderam descobrir participando, experimentando e brincando, que em tudo existe música... Porque música se faz com tudo.

Eduardo Montagnari
CASA / CABUL: um espetáculo grandioso e moroso



                                                                                              Fotos: Lívia Cabrera
“Uma dona de casa inglesa expõe detalhes de sua vida e seu fascínio pela beleza do exótico Afeganistão ao ler um guia de viagem antigo. Nessa jornada por montanhas, desertos e cidades esquecidas, ela arrasta atrás de si seu marido e sua filha, provocando o encontro com a delicadeza e coragem da alma afegã. Casa / Cabul trata, entre outras coisas, de jornadas. A jornada de uma dona de casa em direção à sua mítica, sonhada e simbólica Cabul. A jornada de uma bibliotecária afegã em direção à cultura ocidental. A jornada de uma filha em direção à sua mãe. A jornada de todos nós em direção em direção ao Outro, tão diferente de nós embora, ainda assim, tão parecido. Uma multiplicidade de pontos de vista, que expõe a riqueza e complexidade do mundo em que vivemos, onde não há mais santos ou vilões”.

Essa é a informação que o público dispunha para assistir Casa / Cabul que aconteceu neste sábado. Depois de algumas encenações que romperam com a tradicional relação palco platéia (ou pelo menos com a chamada “quarta parede”), a Semana Luiz Antonio recebeu um espetáculo de abrir e fechar cortinas, de dois atos e quase três horas de duração. E considerando a grandeza do que foi levado ao palco do Municipal é lamentável que o “Núcleo Experimental de Teatro” não tenha se preocupado em oferecer material (um programa) com informações que pudessem aproximar seu grandioso espetáculo de um público que depois do intervalo, desinteressado, acabou em boa parte desistindo de acompanhar o desenvolvimento moroso do drama encenado.

O teatro não pode e nem deve se curvar à rapidez com a qual nosso mundo determina como tudo deve se processar. Seu tempo é outro. Mas esse também é um dado que não livra uma direção e um elenco de emprestarem ao seu trabalho um ritmo que o torne mais prazeroso, cortando, adaptando e reorganizando cenas, uma vez que teatro não é o que se lê, mas o que se encena.

Casa / Cabul, do meu ponto de vista, tinha tudo nas mãos para ser algo bem maior que a incômoda sensação de frustração que o espetáculo apresentado deixou. A qualidade das vozes projetadas, que podiam ser escutadas em qualquer canto do teatro, a riqueza do cenário, dos adereços, a beleza da iluminação, dos figurinos... Tudo grandioso e belo. A riqueza dos detalhes e a complexidade de um texto elogiado. O cuidado de recorrer a assessorias sobre questões como cultura, história, línguas, etnias, comportamentos. A presença de um diretor de peso, como é Zé Henrique de Paula, de bons atores (em sua maioria)... Tudo isso se via e também se via um espetáculo que não acontecia.

Por ironia, o mais encantador e curioso, além da sonoplastia, ficou por conta do trabalho de contra-regra executado por um elenco que mostrava que a dinâmica do espetáculo bem que podia ser outra. Foram os grandes momentos da encenação onde tudo se transformava com grandeza, leveza e beleza quase mágicas para, uma vez restabelecida, a cena voltar a se arrastar... E nesse andamento nem em seus momentos mais dramáticos o espetáculo comoveu um público cuja maioria saiu do teatro sem entender muito bem o porquê (as razões) do que viu.

Eduardo Montagnari

O OLHAR EXÓTICO DE CASA/CABUL



                                                                                                Fotos: Lívia Cabrera

A apresentação de Casa/Cabul trouxe para a 23ª Semana Luiz Antônio um olhar sobre as diferenças culturais que marcam o Ocidente do Oriente Médio, sobretudo o mulçumano, mas com uma reflexão bastante interessante: a de quanto a aparente "liberdade" Ocidental, sobretudo a feminina, encontra-se esvaziada de sentido, assim como a vida da classe média.

É interessante o jogo espectral estabelecido entre a dona de casa inglesa e a bibliotecária afegã. Ambas profundamente insatisfeitas em seus relacionamentos, em sua condição de mulher, em suas vidas sociais e ambas corajosamente prontas a reverter este quadro. A inglesa sonha com o universo mítico de uma Cabul, no qual as relações não são feitas de aparência, marcada (historicamente) por lutas e conquistas. A fala da filha, já no Afeganistão, resume tudo: país no qual as pessoas que se odeiam se matam.

Destaque para o “divertido monólogo” inicial da peça no qual a inglesa alterna suas frustrações pessoais, familiares e sociais às informações obtidas em um antigo guia turístico sobre Cabul (com mais de 30 anos), enfatizando as guerras travadas no território, do hoje Afeganistão, ao longo dos séculos. A correlação estabelecida aí vai se mostrar ainda mais intensa quando, ao desenrolar-se a trama, se descobre que ela fugiu para Cabul e tornou-se esposa de um mulçumano, convertendo-se ao islamismo. Hipótese absurda para seu marido, filha e grupo social.

Em contrapartida, a afegã, mulçumana, sonha com a liberdade de expressão, deseja ardentemente poder voltar a ler livros, já que só lhe é permitida a leitura do Corão. Não sem humor, a peça faz essas duas mulheres trocarem de país, religião e maridos, convidando-nos a refletir sobre os valores impostos a cada um e a nos questionar: o que é realmente importante em nossas vidas?! As respostas podem ser bastante diversas, opostas até. Outra reflexão fundamental é sobre a noção de liberdade no Ocidente, seria realmente liberdade?!

Com interpretações muito boas, um cenário que se transformava ora na Londres moderna, ora na cidade de Cabul e uma luz muito bem desenhada, o Núcleo Experimental de Teatro, de São Paulo, resgatou o formato do teatro tradicional, o público sentado na platéia, os atores no palco, o que causou a alegria de alguns, com saudades do bom teatro convencional, sem espaços e dramaturgias alternativos. O único se não é o tempo do espetáculo, 150 min. Alguns cortes poderiam tornar a peça mais ágil e intensa, mas é sem dúvida um belo espetáculo.


Flávia Marquetti

UM BRAVO OLHAR DA BRAVA CIA



                                                                                                Fotos: Lívia Cabrera

A apresentação da Brava Cia, de São Paulo, tomou de assalto as ruas de Araraquara com o “espetáculo”: Este lado para cima – Isto não é um espetáculo. Com uma indumentária, que traz em si o próprio cenário ... ou seria o contrário?! Seja como for, o cenário/indumentária era composto por roupas que me lembraram uma mistura do esfarrapado exército de Brancaleone, rumo à libertação do Santo Sepulcro na Pré-Cruzada, a um Mad Max. O que a princípio pareciam armas de ataque, se transformaram em equipamentos de som, bancos e muito mais.

O grupo contou a história desta e de todas as cidades, a história do homem e do capitalismo, com muito humor, irreverência, boas representações, música e interação com o público. Fazendo rir, mas também refletir sobre as relações políticas, econômicas e sociais vigentes, conclamando a todos a participar desta nova cruzada, libertar um outro sepulcro: o futuro do próprio homem.

Brecht ia amar! E nós todos, literalmente, nos juntamos ao ataque da Brava, que a cada apresentação arregimenta mais gente em sua marcha final, segundo um dos integrantes. Só quem esteve presente tem a dimensão da proposta, que não cabe em uma descrição. Bravo! Bravíssima!!!

Flávia Marquetti

sábado, 25 de junho de 2011

O AMOR QUE (NÃO) OUSA DIZER SEU NOME

                                                                                                Fotos:Lívia Cabrera
A natureza épica do espetáculo da “Cia Filhos do Dr. Alfredo”, narrativo por excelência, convida o público a participar de uma quase conferência ilustrada sobre o tema encenado: a violência contra aqueles que têm uma orientação sexual diferente daquela que é considerada “normal”. A ponte entre o destino de encarcerado - que o conservadorismo britânico do final do século XIX reservou ao autor de “O retrato de Dorian Gray” - e excertos do conteúdo de depoimentos de parentes e pessoas ligadas às vítimas do Maníaco do Trianon, resultou em uma dramaturgia competente colocada em cena por uma direção eficiente como compete a um espetáculo que se propõe militante (e pedagógico, de certa forma) porque ousa dizer o nome do seu amor.

Mais uma vez (como em outros espetáculos que vimos nesta semana), o recurso utilizado foi levar a platéia para perto dos atores, no palco. O clima de intimidade se fez. Figurinos e adereços de cena (lixeiras, cadeiras, mesa, papéis, baú, televisão, tela) cumpriram junto com a atuação dos dois atores Alexandre Cruz e Marcelo Braga e do elenco em vídeo, uma tarefa não apenas estética, mas de informação e confirmação do que estava sendo demonstrado.

A estratégia de articular cenas dramáticas, textos narrativos e ilustrações de cenas de vídeo, criou um panorama favorável ao desenvolvimento do tema abordado. A troca em cena de elementos do figurino, o uso de cartazes, de fotografias, de um filme, completaram na medida o necessário para a realização de uma encenação engajada. Do meu ponto de vista, o traço que não chega a ser comprometedor, mas merecedor de uma revisão ficou por conta da necessidade aproximar a atuação de Marcelo Braga de um tom e de uma postura mais narrativa, épica. Quando o ator não se encontra investido dos seus papéis dramáticos, ele insiste em seguir representando, postura que seguidas vezes compromete o que o ator, não o personagem, está dizendo. E isso me parece importante porque o espetáculo tem muito a dizer!

Eduardo Montagnari

OLHOS NOS OLHOS COM ANALU PRESTES

Analu, nós, espectadores da 23ª SLAMC, é que agradecemos o belo espetáculo que vocês criaram e que pudemos assistir. Esperamos poder ver os próximos trabalhos. Sucesso... mais sucesso, a todos vocês.
Flávia Marquetti

O deserto na alma e a cidade paraíso



                                                                               Fotos: Lívia Cabrera

OLHOS NOS OLHOS COM LARISSA

Oi Larissa, só agora vi a tua postagem para o espetáculo Aqueles Dois, realmente Caio F. Abreu é fantástico e os meninos da Luna Lunera não ficam atrás...o que nos deu um espetáculo inesquecível.
Flávia Marquetti

OLHOS NOS OLHOS COM ZÉ GUILHERME 2

Oi, Gui!  Comentando tuas duas últimas postagens, acredito que uma das tônicas desta 23ª SLAMC é a delicadeza do olhar para situações ligadas ao preconceito e ao que realmente faz sentido na vida do ser humano, o afeto, o amor, a amizade.  Por isso, os espetáculos primaram por este cuidado, pois é nos pequenos gestos, objetos, nos detalhes que se revela o humano e se encontra a grande arte do ator.
Flávia Marquetti

VALSA nº 6


                                                                                  Fotos: Lívia Cabrera
A Valsa nº 6 (escrita em 1951) é tradicionalmente um desafio para diretores e atrizes por se tratar de um monólgo a ser interpretado por uma atriz que deve cantar e tocar piano. Essas indicações, nem sempre obedecidas, como na presente montagem que celebra a criação da “Cia Labirinto”, originaram o traço mais significativo do grupo que veio da vizinha cidade de Matão: a não obediência às indicações de Nelson Rodrigues.

A desobediência da montagem é plena. Nada de piano branco ou de cortina vermelha... (vale lembrar que uma das atrizes cumpriu a parte referente ao canto, apresentando seu Villa Lobos com dignidade). Mas a maior, mais arriscada e atrevida desobediência é que ao invés de uma atriz, a montagem da “Cia Labirinto” escolheu distribuir as falas e ações da protagonista entre oito personagens, que fazem desde o velho médico tarado até a menina Sônia, passando pelas fofoqueiras e a intereção com o público.

Antes de ler o programa (finalmente um grupo entregando seu programa na porta do teatro) comentei que o principal traço do espetáculo era sua ousadia. Multiplicar Sônia foi realmente uma ousadia cênica de méritos mas também de comprometimentos. O maior destes, do meu ponto de vista, foi a criação de um palco “sujo” (carregado) que é reforçado pelas cores dos figurinos, as máscaras da maquiagem, o exagêro das interprtações e dos biombos cheios de adereços.

A iluminação teve seu tom menor no spot frontal, ingenuamente agressivo, voltado para os olhos do público. A decisão correta foi a de trazer a pláteia para o palco e levar o palco para a platéia. Uma decisão que acabou prejudicada pelas paredes laterais da platéia abarrotadas de informações que passaram a fazer parte e a comprometerem o cenário original. Num palco tudo é signo. Tudo significa, tudo informa, inclusive tatuagens... Carregar a cena, sujar o branco recomendado, reduzir o vermelho apenas para os sutiens, foi intencional, mas teve um preço... Nelson já sombrio e carregado em si mesmo, ultrapassou, com a “Cia Labirinto”, o limite do seu próprio exagêro.

Há que se ressaltar, por fim, a sonoplastia, o uso ágil dos biombos e boas marcações (lembro a impressão causada pelos oito atores formando quatro personagens de cabeças para baixo). Por essas razões, segundo meu olhar, a movimentação eficiente do jovem elenco da nova “Cia Labirinto” não logrou desviar a Valsa nº 6 dos tradicionais excessos que acompanham as montagens quando se trata de encenar Nelson Rodriguês. Em especial pelo exagero de personagens que antes gritam do que falam.

Eduardo Montagnari

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