Prólogo
O ATOR E AS CIDADES
como uma coisa está em outra
e a cidade está no homem
que está em outra cidade
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A arte do ator é feita de chegadas e partidas, a cada cidade uma nova experiência, em cada uma ele deixa um pouco de si e leva um pouco de tudo: rostos, risos, lágrimas, histórias, vivências, sensações. O trânsito, a mobilidade é a pátria do despatriado ator, vagar entre culturas, costumes e tempos diferentes é sua sina e paixão, pois ele se compõe e recompõe de cada momento. Tolo é aquele que pensa que a arte morre, tem seu lugar determinado por marcas geográficas, por cronologias... a arte foge de todo e qualquer enquadramento, não cabe no mapa, pois é cigana, não (re)conhece fronteiras, ela se constitui a partir do trânsito, do vagabundear do ator, seu veículo. Em sua carne e expressões ela ganha corpo e reflete os rostos de todos os homens de todos os tempos, arguta e criativa, ela mimetiza o mundo e esse seu habitante conturbado, o Homem e é adsorvida por ele.
A 24ª Semana Luiz Antônio traz a criativa itinerância que brota da releitura de grandes clássicos, de personagens que vagaram pelo mundo e foram incorporando os novos tempos, as novas cidades e estéticas. Em seus corações pulsam as lembranças da origem, mas em suas vestes o novo, o arrojado trânsito por locais insondáveis. E como diz o poeta:
a cidade está no homem
quase como a árvore voa
no pássaro que a deixa.
Ferreira Gullar
Evoé! e muita Lu(i)z...
Flávia Marquetti
segunda-feira, 20 de junho de 2011
CASCA DE NÓS
OLHOS NOS OLHOS COM OTÁVIO
O OLHAR SINUOSO DE NELSON RODRIGUES
CASCA DE NÓS E O OLHAR DESLOCADO
O grupo Cia dos Pés, de São José do Rio Preto, virou a cabeça do público da 23ª SLAMC com uma proposta bastante original. O espetáculo, Casca de Nós, se propõe discutir o espaço cotidiano, urbano e sua relação com o corpo a partir do deslocamento do olhar, físico inclusive. A Cia colocou toda a platéia a seus pés, deitada (melhor maneira de ver o espetáculo) em colchonetes diante da Prefeitura Municipal. Mais que uma simples inversão na forma de assistir a um espetáculo a proposta do grupo começa por alterar a forma de ver a cidade, os prédios, o que nos cerca e a nós mesmos. Ângulo novo, estranho que, ao romper com a rotina do plano horizontal do olhar, revela detalhes arquitetônicos do espaço, antes não apreendidos, redimensiona a percepção do corpo em relação ao mundo, seja nas sensações táteis do contato com o chão ou da visão, que nos ilude a partir dos movimentos leves, em “câmera lenta” realizados pelas duas integrantes do grupo.
domingo, 19 de junho de 2011
À LUZ DOS TEUS OLHOS: MIGUILINS E AQUELES DOIS
sábado, 18 de junho de 2011
“HÁ MUITOS TEATROS EM UM SÓ TEATRO” (em torno da peça “O horácio”)
A maior batalha que a “X Turma de Teatro Barão de Mauá” de Ribeirão Preto teve que travar ontem às 24 horas, não foi a que estava sendo demonstrada, para utilizar uma expressão afinada com a forma de teatro que estava sendo encenada, no saguão do Teatro Municipal. O piso escorregadio do saguão do teatro e a acústica nada favorável exigiu dos estudantes/atores uma atenção dobrada que tornou a encenação quase que um teatro de risco. Os desequilíbrios e escorregões, facilitados pelos elementos cênicos, ovos, melancia, vinho, farinha, tornaram o espaço um verdadeiro campo de batalha de acordo com a sugestão proposta pela dramaturgia do alemão Heiner Muller (1929-1995).
OLHARES CEGOS NO PRIMEIRO DIA DA SEMANA LUIZ ANTÔNIO: HISTÓRIA DE ÉDIPO E O HORÁCIO
quarta-feira, 15 de junho de 2011
23ª Semana Luiz Antônio abre temporada com “Édipo”
O tema “Olhares Múltiplos” permeia a programação da 23ª Semana Luiz Antônio Martinez Corrêa – Festival de Teatro (SLAMC), que se inicia no dia 17, em Araraquara, seguindo até 26 de junho. Com realização da Prefeitura de Araraquara - por meio da Secretaria Municipal de Cultura e Fundart e com a parceria do SESC, SESI, SENAC e Oficinas Culturais Lélia Abramo do Governo do Estado de São Paulo – a SLAMC chega com mais de 20 espetáculos teatrais e uma grande programação complementar.
A programação do dia 17 se inicia com o Grupo Teatro Andante (Belo Horizonte - MG), que apresenta “A História de Édipo”, às 20h30, na Praça Pedro de Toledo. Às 23h59, no saguão do Teatro Municipal, a X Turma de Teatro – Barão de Mauá apresenta “O Horácio”.
Também, no saguão do Teatro Municipal, de 17 a 26 de junho, haverá a exposição fotográfica “‘Interiolhar’’, com fotos de cena de Maribel Santos.
Os ingressos para “O Horácio” serão distribuídos a partir das 13 horas, na bilheteria do Teatro Municipal, sendo até dois ingressos por pessoa. Para o espetáculo de abertura, na Praça Pedro de Toledo, não é necessário ingresso. Toda a programação é gratuita.
“A História de Édipo” - Grupo Teatro Andante (MG)
Teatro Andante apresenta “A História de Édipo” em versão para a rua
O Grupo Teatro Andante apresenta na rua, através de um espetáculo ousado, dinâmico e contemporâneo, a história do mito de Édipo, escrita por Sófocles, há 2500 anos, e famosa até os dias de hoje.
Através da investigação sobre a morte de Laio, o Rei Édipo, descobre a grande surpresa que o destino lhe reservou: ele, sem saber, casou-se com a própria mãe e assassinou o próprio pai. Assim, configura-se um dos mais famosos mitos trágicos da humanidade: a história do homem que, em busca de suas origens, instaura os princípios da ética que nos conduz.
Édipo Rei - Nessa releitura do mito de Édipo para a rua, o objetivo do grupo é levar as histórias famosas da humanidade para parcelas da população que não freqüentam as salas comerciais de teatro. Para isso, o Grupo Teatro Andante construiu um espetáculo contemporâneo, ágil, ousado na linguagem, politicamente atual e contundente na comunicação com o público.
É um texto atual porque grande parte das pessoas já ouviu falar em Édipo, ao menos através do famoso “complexo do Édipo”, popularizado pela psicanálise. Mas o mito de Édipo é mais do que isso: fala da ambição do poder, da impunidade, dos limites do público e do privado, da importância de cada pessoa assumir sua própria história, da grande questão entre a determinação do destino e o livre arbítrio.
O teatro sem truques, o jogo explícito e compartilhado com o público, sem rotundas, sem coxias, o espaço em forma de arena, são elementos da pesquisa do grupo, mais uma vez presentes nesse espetáculo. Fortificando sua pesquisa no trabalho do bastão, na pré-expressividade, no jogo do ator, e entre o ator e os outros elementos da encenação como a música e o espaço cênico, o Grupo Teatro Andante volta à rua, cara a cara com a platéia, fazendo do público o “povo de Tebas”.
A trilha sonora é realizada ao vivo, com guitarra, acordeom e elementos de percussão. O cenário é um andaime: um palanque, uma tribuna, um monólito que dá a dimensão para criar a relação de grandeza da tragédia.
Sem dúvida esta será uma ótima oportunidade para o público assistir “Édipo Rei”, escrita por Sófocles há 2500 anos.
Em 50 minutos de encenação, com texto de fácil entendimento e sem carregar na dramaticidade, o Teatro Andante apresenta a história de Édipo e Jocasta, a peça clássica grega mais popular, sempre montada com as mais diversas adaptações e interpretações em todo o mundo.
Grupo Teatro Andante - É hoje um dos mais atuantes e importantes grupos de teatro de Belo Horizonte, tendo participado de festivais nacionais e internacionais. Fundado por Marcelo Bones e Ângela Mourão, em 1990.
Durante toda a sua história de 20 anos de existência, o Andante tem tido como fios condutores de suas produções a pesquisa de linguagens teatrais e a descentralização artística e difusão do teatro para parcelas da população que não têm acesso às casas de espetáculos e que estão fora dos eixos culturais.
A marca do Grupo Teatro Andante é realizar espetáculos com grande qualidade artística e técnica, dirigidos a qualquer público e que possam ser apresentados em espaços variados. Entre outros eventos, o Grupo participou do projeto Palco Giratório do SESC-Nacional se apresentando em 35 cidades de 17 estados brasileiros. Fez parte de projetos como, Trilhas da Cultura, patrocinado pela empresa Belgo Mineira – Arcelor Mittal.
O Grupo também desenvolve oficinas, tais como técnicas corporais, máscaras teatrais, palhaço, técnica e dramaturgia para teatro de rua, formação de educadores, entre outras, uma vez que seus integrantes são professores de teatro.
Interessado no intercâmbio artístico, o grupo participa de ações de compartilhamento e formação, e de movimentos teatrais locais, nacionais e internacionais. O Circuito Off (reunião de grupos que realizam ações integradas em Belo Horizonte), o Redemoinho (que agrega 41 grupos teatrais de todo o Brasil com o objetivo de discutir, promover intercâmbios, trocas de experiências e ações integradas) e o Linea Trasversale (aliança internacional com sede na Itália, que realiza encontros de compartilhamento e estudos) são exemplos da atuação do Andante.
Ficha Técnica
Direção: Marcelo Bones
Elenco: Angela Mourão, Beto Militani, Gladys Rodrigues, e Glauco Mattos
Ator local convidado: Luciano Pacchioni
Adaptação, concepção e produção: Grupo Teatro Andante
Dramaturgia: José Carlos Aragão
Iluminação: Chico Pelúcio e Felipe Cosse
Figurino: Marney Heitmann
Direção Musical: Claudia Cimbleris
Duração: 50 minutos
sexta-feira, 3 de junho de 2011
Semana Luiz Antônio chega com mais de 20 espetáculos

Sara Antunes em cena de "Sonhos para Vestir"
Cenário-instalação de Analú Prestes. Direção de Vera Holtz
Os “Olhares Múltiplos” conduzem a programação da 23ª Semana Luiz Antônio Martinez Corrêa – Festival de Teatro (SLAMC), em Araraquara, de 17 a 26 de junho. Com realização da Prefeitura de Araraquara - por meio da Secretaria Municipal de Cultura e Fundart e com a parceria do SESC, SESI, SENAC e Oficinas Culturais Lélia Abramo do Governo do Estado de São Paulo – a SLAMC chega com mais de 20 espetáculos teatrais e uma grande programação complementar.
“A Semana Luiz Antônio tem um significado de importância política e cultural não só para o teatro, pois seu surgimento se dá também com a participação de várias outras linguagens artísticas”, comenta Euzânia Andrade, secretária municipal da Cultura.
“A Semana surgiu na década de 80 como uma atitude de resistência política-cultural por um grupo de artistas das diferentes linguagens, em prol da democracia e da luta para uma política cultural para a cidade de Araraquara, e ela marcou definitivamente a história cultural de nossa cidade. Neste momento podemos refletir sobre a importância da arte nos movimentos políticos e como ela pode contribuir para o desenvolvimento cultural de uma sociedade”, disse a secretária.
O conceito de reflexão desta edição da Semana tem a ideia dos "Olhares Múltiplos", apontando para as formas de ver e ser visto. De acordo com Jorge Okada, gestor de projetos da Secretaria Municipal da Cultura, a palavra “teatro” vem do vocábulo grego “theastai” que significa ver, e “theatron”, é o lugar de onde se vê. “Daí a proposta de se ver em cena a multiplicidade do olhar”, complementa o gestor.
Para tanto, a programação será aberta na sexta-feira (17, às 20h30) com a “A História de Édipo”, recontada de uma maneira contemporânea, na Praça Pedro de Toledo, pelo grupo mineiro Teatro Andante. A história é uma das mais montadas no teatro em todos os países do mundo e, apesar de ser uma história tão antiga, o Teatro Andante procura contá-la de maneira bem moderna, com figurinos contemporâneos, música tocada ao vivo e fogos de artifício.
Além da Praça, diversos outros espaços serão utilizados durante a programação: Teatro Municipal, Teatro Wallace Leal Valentin Rodrigues, teatros do SESC, SESI e SENAC, Prefeitura, Biblioteca Pública Municipal Mário de Andrade e Palacete das Rosas Paulo A.C. Silva.
Além dos espetáculos, a SLAMC traz uma programação complementar, que vai além dos espetáculos agendados: oficina, show, café de investigação, bate-papo e mesas redondas, além da exposição fotográfica “Interiolhar”, de Maribel Santos, com 32 fotos de cenas de teatro, dança e música, no Teatro Municipal (dia 17).
No dia 17, ainda, também haverá o espetáculo “O Horácio”, do dramaturgo alemão Heiner Müller, às 23h59, no saguão do Teatro Municipal, com a X Turma de Teatro, do Centro Universitário Barão de Mauá. O experimento foi criado durante realização da disciplina Interpretação II - Teatro Narrativo, ministrada pelo professor Carlos Canhameiro, com coordenação de Mirian Fontana.
O segundo dia (18) da SLAMC apresenta uma programação intensa, que se inicia às 9h30, no SESC, com Cláudio Dias e Marcelo Souza e Silva, da Cia Luna Lunera (MG), na oficina “O Ator Criador”. São 20 vagas e as inscrições podem ser realizadas na Central de Atendimento do SESC.
Estão reservadas duas atividades na Biblioteca Municipal Mário de Andrade: “Miguilins de Codisburgo”, às 16 horas, e “Personagens de Porão - uma aventura infantil”, às 22 horas (este último destinado a crianças com idade entre 8 e 10 anos; inscrições pelo fone 16 3332-0777).
“Miguilins de Codisburgo” apresenta narrativas de trechos do lírico conto “Campo Geral”, da obra Manuelzão e Miguilim, de João Guimarães Rosa. Composto por adolescentes, com idades entre 13 e 20 anos, o grupo tem contribuído ativamente para a divulgação e preservação da oralidade e da obra de Guimarães Rosa, a partir da narração de fragmentos literários do escritor. O grupo ‘Contadores de Estórias Miguilim’ foi criado em 1996, por Calina da Silveira Guimarães, prima de Guimarães Rosa, com o objetivo de socialização de crianças e jovens da cidade de Cordisburgo (MG), quebrando as barreiras sugeridas pela dificuldade e seletividade da obra do escritor.
Às 20 horas, dois espetáculos distintos, em espaços diferentes: “Aqueles Dois”, com Cia Luna Lunera (MG), no SESC (recomendação etária: 16 anos); e “Baobá”, com Cisne Negro Cia de Dança (SP), no SESI (144 lugares - retirada de convites com uma hora de antecedência no SESI).
“Aqueles Dois” foi criado a partir do conto homônimo de Caio Fernando Abreu e mostra a rotina de uma "repartição" - metáfora para qualquer ambiente inóspito e burocrático de trabalho, revelando o desenvolvimento de laços de cumplicidade entre dois de seus novos funcionários, o que gera incômodo nos demais.
Um Pocket Show Maldito, às 23h59, no Teatro Wallace Leal Valentin Rodrigues, encerra as atividades do sábado.
No domingo (19), um dos destaques é a Cia dos Pés, com o espetáculo “Casca de Nós”, às 16 e 20 horas, nas paredes do prédio da Prefeitura. “Inverteremos o olhar: o público estará deitado no chão da Esplanada das Rosas para garantir a melhor visão do Teatro Físico, que será encenado na parede da Prefeitura”, revela Okada.
O espetáculo é uma abordagem sobre a ocupação sentimental dos espaços, casas, quintais. A casa como uma “casca de nós”, cada uma de um jeito, cada casca com sua história. Depois do espetáculo, às 17h, os atores da Cia do Pés realizam o bate-papo “Dança e Teatro na Vertical” com interessados, no Palacete das Rosas.
A agenda do domingo apresenta o infantil “Zôo-ilógico”, com a Cia Truks (SP), às 11 horas, no SESC (retirada de convites a partir das 9h), show com Sotaque Paulista (Choro das Águas, às 18h, na Praça do Daae).
O espetáculo “A Serpente”, com Mênades & Sátiros Cia de Teatro (Presidente Prudente), às 21 horas, no Teatro Municipal. O texto de Nelson Rodrigues revela o universo de duas irmãs que vivem com seus maridos em quartos vizinhos, no mesmo apartamento presenteado pelo pai. Ambas se envolvem numa paixão repentina e a impossibilidade de viver esse amor as levará a cumprirem destinos incertos.
As atividades da segunda-feira (20) voltam-se para a formação e investigação da cena teatral, com o Café da Investigação nº 1, com Mônica Nador, às 18 horas, no Teatro Municipal; e a mesa redonda “Teatro Musical no Brasil”, com Neyde Veneziano, às 20 horas, na Biblioteca Municipal Mário de Andrade.
Mônica Nador é uma artista plástica que propõe um novo olhar de cor às comunidades periféricas da cidade de São Paulo. Sua participação deve agregar também o público do Território da Arte de Araraquara, que segue até 26 de junho. Já Neyde é especialista em Teatro de Revista e Teatro Musical no Brasil.
Na terça (21), o grupo Luz e Ribalta (São Paulo), com direção de José Renato, apresenta “O Grande Grito”, às 16 horas (para alunos do ensino médio, com agendamento pelo fone 3336-5183) e às 20 horas (retirada de convites a partir das 13h, no Teatro Municipal).
A autora de “O Grande Grito”, Gabriela Rabelo, partiu de fatos reais para contar a história do acervo trazido pela Missão de Pesquisas Folclóricas (excursão ao Norte e Nordeste feita em 1937/38 sob a orientação de Mário de Andrade) e que permaneceu abandonado em um depósito de uma biblioteca pública no bairro da Lapa, em São Paulo.
No meio desses muitos objetos trazidos pela Missão destaca-se uma escultura firmada de Exu, que ganha vida nesse cenário e aprisiona “o espírito” de Mário de Andrade, até que este cumpra a promessa de lhe dar um lugar de honra em São Paulo. Macunaíma vem sempre visitar seu criador e esses três personagens discutem ali uma forma de cada qual retomar seu caminho. Às 18 horas, Gabriela Rabelo é a convidado do Café de Investigação nº 2, no Teatro Municipal.
No dia 22, quarta, a Semana apresenta um espetáculo que não depende do olhar: a platéia será convidada a ouvir a peça radiofônica "A Exceção e a Regra", de Bertold Brecht, na adaptação e direção de Eduardo Montagnari, e assim, ver através da imaginação as cenas da obra alemã. A apresentação será às 18 horas, no saguão do Teatro Municipal, onde na sequência será realizado o Café da Investigação nº 3 com Montagnari.
Dois espetáculos ocupam o horário das 20 horas na quarta “Fontainebleau”, com a Cia Tan-Tan (SP), no Teatro Municipal (retirada de convites a partir das 13h no Teatro); e “Chá das Duas”, com o Grupo Contos e Cantos, no SENAC Araraquara (retirada de convites a partir das 13h no SENAC).
“Fontainebleau” dá continuidade às pesquisas e desenvolvimento do trabalho de palhaço da Cia, divertindo o público com situações cotidianas, improvisações, temas e críticas para uma reflexão e conscientização mundial.
Em “Fontainebleau”, os pintores impressionistas Claude Monéio (palhaço Néio) e Auguste Fenoir (palhaço Feno), saem do atelier e vão para a floresta Fontainebleau em busca de inspiração para pintar. Ao encontrarem a belíssima Fina Arbre (palhaça Fina), disputam o melhor lugar para pintá-la. Fenoir perde a memória e acredita ser, Olavo Bilac, D. Pedro I e Tarsila do Amaral.
O espetáculo “Negrinha”, às 22 horas, no Palacete das Rosas, apresenta Sara Antunes, com direção de Luiz Fernando Marques, num espetáculo em que a reflexão se faz sobre os olhares impregnados de preconceito. Inspirado em texto de Monteiro Lobato, “Negrinha” conta a história de uma menina negra que possui fascínio pelas cores das pessoas. O enredo se passa no século XIX e, através da imaginação da personagem principal, são denunciadas as contradições de sua época. A recomendação etária é apara maiores de 14 anos, sendo a retirada de convites a partir das 13 horas, no próprio Palacete.
Sara Antunes também é atriz do espetáculo da quinta-feira (23): “Sonhos para Vestir”, no Teatro Municipal, às 22 horas. A peça - criada pela própria atriz e também pela artista plástica Analu Prestes – tem direção de Vera Holtz. Aqui, o público volta seu olhar para o lúdico. A peça se passa durante a noite, quando uma mulher insone, em estado de devaneio, tem uma viagem sensorial, e compartilha seu diário e suas cartas com o público. Com lugares limitados (130), os ingressos serão distribuídos a partir das 13 horas, no Teatro. A recomendação etária é para maiores de 14 anos.
Vera Holtz e Analú Prestes tiveram grande contato com o Luiz Antônio Martinez Corrêa, no Rio e em São Paulo. As artistas engrandecem a agenda da SLAMC com a participação do Café de Investigação nº 4, às 18 horas, no saguão do Teatro Municipal.
O Grupo 59 (São Paulo), com direção de Cristiane Paoli Quito, apresenta no Teatro Municipal, “O Gato Malhado e a Andorinha Sinhá”, às 16 horas. Na história de Jorge Amado, a alegre Andorinha Sinhá nutre um amor incomum pelo mal-humorado Gato Malhado. Juntos, eles tentam superar suas diferenças. A retirada de convites é a partir das 13 horas, no Teatro.
Com 144 lugares, no teatro do SESI, será apresentado “Louise Valentina”, com Simone Spoladore e Felipe Vidal, às 20 horas. A recomendação etária é de 16 anos, sendo a retirada de convites realizada com uma hora de antecedência, no SESI. O espetáculo será apresentado no mesmo horário, também na sexta-feira.
Os alunos do Curso Técnico em Arte Dramática – realizado numa parceria entre a Prefeitura e o SENAC-Araraquara - abrem a programação da sexta (24), com “O Deserto na Alma e a Cidade Paraíso”, na Praça Pedro de Toledo, às 18 horas. A intervenção é posposta a partir da dramatização de alguns textos retirados das histórias do “Sr. Keuner”, de Bertolt Brecht, e frases de Hermann Hesse, na qual se busca uma reflexão sobre o ser humano, a cidade e a miséria. A partir de olhares múltiplos sobre o universo do que é a carência, o espetáculo propõe um diálogo entre as propostas de Brecht para o teatro e a dramaturgia contemporânea.
Às 20 horas, duas outras apresentações: “Valsa nº 6”, com a Cia Labirinto (Matão-SP), no Teatro Wallace Leal Valentim Rodrigues, com 70 lugares (retirada de convites a partir das 13h, no Teatro Wallace), e “Louise Valentina” (citado acima).
“Amor que não Ousa Dizer seu Nome”, com a Cia Filhos de Alfredo (São Paulo) e direção de Milton Morales Filho, fecha a programação da sexta, às 22 horas, no Teatro Municipal. O espetáculo levanta a temática de discriminação em relação ao comportamento homossexual, retratando dois episódios separados por quase um século: o julgamento de Oscar Wilde e a história do Maníaco do Trianon. No palco: o ator araraquarense Alexandre Cruz e também Marcelo Braga. Os lugares são limitados (130) e a retirada de convites será realizada a partir das 13 horas, no Teatro.
No sábado (25), véspera do encerramento da SLAMC, a Praça Pedro de Toledo recebe “Este Lado Para Cima – Isso Não é Um Espetáculo”, com a Brava Cia (São Paulo), às 17 horas. O grupo figura nos maiores festivais de teatro do país, apresentando este espetáculo de rua que fala sobre o poder do mercado e o controle das relações humanas exercido por ele. O tema é discutido com um humor anárquico e revolucionário.
Depois, às 20 horas, no Teatro Municipal, será encenado “Casa/Cabul”, com o Núcleo Experimental de Teatro (São Paulo), com Chris Couto e Sérgio Mastropasqua, e direção de Zé Henrique de Paula. O espetáculo traz o olhar para o testemunho de uma mulher, sobre o conflito do Afeganistão. O misterioso desaparecimento da personagem conhecida com Dona de Casa, uma inglesa entediada, desencadeia uma busca por parte de seu marido e de sua filha, que desembarcam em Cabul. A recomendação etária é para 14 anos, e a retirada de convites é a partir das 13 horas, no Teatro Municipal. “Casa/Cabul” será encenado novamente no domingo, para fechar a programação da Semana.
Um show musical com o grupo Mawaca encerra as atividades do sábado, às 20 horas, no Teatro do SESI. A capacidade é de 144 lugares e os ingressos serão distribuídos uma hora antes da apresentação, no SESI.
A programação da SLAMC se encerra no domingo (26). No Sesc, às 11 horas, será apresentado “E se as Histórias Fossem Diferentes?”, com a Cia Truks (São Paulo). Os ingressos podem ser retirados no Sesc, no dia da apresentação, a partir das 9 horas.
A Cia Tarcio Costa apresenta “Bate Lata e Vira Lata”, às 17 horas, na Praça do Daae, na programação do Choro das Águas, seguido por show musical com Alex Lima, às 18 horas. O espetáculo “Casa/Cabul” encerra a programação às 20 horas, no Teatro Municipal.
A SLAMC conta com o apoio cultural do Banco do Brasil, Novo Hotel Municipal e Bella Capri. Toda a programação é gratuita
segunda-feira, 28 de junho de 2010
POSTAGENS E COMENTÁRIOS DA 22 ª SEMANA LUIZ ANTÔNIO
Faço minha a primeira contribuição, a imagem que aí vai é de um dos primeiros crachás da APAU DE ARARA, a associação fundada pelos artistas que organizavam as Semanas e lutavam por uma política cultural em Araraquara.

OBS.: o alfinete é o original, está aí desde os idos...
Flávia Regina Marquetti
CRUZAMENTO DE ENCANTAÇÕES
O ator usa de seu corpo, de seus sentimentos, de seu sangue para dar vida a um personagem e cruzar sua existência à nossa, mais do que divertir, ele quer capturar a vida no que ela tem de mais intenso, de mais belo e de mais terrível, as relações entre os homens, seus desejos, suas angústias, suas alegrias, seus preconceitos, em suma, tudo o que faz com que sejamos SERES HUMANOS, falíveis e encantadores, pois só o que é falível, imperfeito pode enternecer, a perfeição é exclusividade de Deus e de sua eternidade, sempre igual a si mesmo.
O mais belo no teatro, o que faz com que nos emocionemos é a irremediável certeza do Humano, tanto no que diz respeito ao personagem quanto ao ator, ao contrário de todas as outras artes que usam da tecnologia como mediadora, o teatro nos permite ver ali, ao alcance da mão, em carne e osso, o personagem pulsando no sangue do ator. Essa presença física desses dois universos humanos tão distintos e tão reais, personagem e ator, fundidos em um momento único, que não se reproduzirá jamais, a não ser ali, naquelas poucas horas, com aquela platéia, naquele dia, pois cada espetáculo, embora o mesmo, é outro, é diferente, é marcado pelo inefável, pelo humano.
Benditos sejam os atores que se despem de si para viver o Outro e nos permitem viver com eles esse Outro, cruzamentos e encantações... a possessão de Dioniso – Evoé a todos que partilharam esta XXII Semana de LU(I)Z.
Flávia Regina Marquetti
A MEGERA DOMADA (PRODUTOS NOTÁVEIS – CAXIAS DO SUL/RS)
Tendo a comédia de Shakespeare, A Megera Domada, como base, o grupo revestiu-o com as máscaras e a mise-en-scene da Commedia Dell’Arte, com figurinos de época e a utilização de bonecas para a representação de uma personagem (Bianca), se isso tudo não bastasse, a peça conta ainda com música ao vivo, efeitos sonoros e uma boa dose de humor.
A retomada de um texto clássico inglês, o uso das convenções da Commedia Dell’Arte (com direito a uma simpática homenagem a Arlequino, servidor de dois patrões, de Goldoni, pois o criado não só serve a dois patrões, mas também possui duas máscaras e indumentárias, que troca, deliciosamente, em cena com o auxílio da platéia) e a adaptação para a rua com suas intervenções e contextualizações para os dias de hoje (caso do uso das bonecas para Bianca, a mulher objeto desejada por todos, enquanto Catarina, nada objeto, é temida e rejeitada) representa bem a idéia central da Semana de cruzar as estéticas, as propostas teatrais e buscar um encantamento novo, aproximar do hoje o ontem e revelar a beleza existente no fazer do ator, na arte de interpretar, que independente da escolha estética, é sempre uma entrega.
Com irreverência e visão crítica, A Megera Domada, dos “guris” de Caxias do Sul propõe uma releitura de Shakespeare e uma reflexão sobre os papéis sociais e as relações de hoje, uma peça TRI Legal.