Prólogo

O ATOR E AS CIDADES

O homem está na cidade
como uma coisa está em outra
e a cidade está no homem
que está em outra cidade

.....................................

A arte do ator é feita de chegadas e partidas, a cada cidade uma nova experiência, em cada uma ele deixa um pouco de si e leva um pouco de tudo: rostos, risos, lágrimas, histórias, vivências, sensações. O trânsito, a mobilidade é a pátria do despatriado ator, vagar entre culturas, costumes e tempos diferentes é sua sina e paixão, pois ele se compõe e recompõe de cada momento. Tolo é aquele que pensa que a arte morre, tem seu lugar determinado por marcas geográficas, por cronologias... a arte foge de todo e qualquer enquadramento, não cabe no mapa, pois é cigana, não (re)conhece fronteiras, ela se constitui a partir do trânsito, do vagabundear do ator, seu veículo. Em sua carne e expressões ela ganha corpo e reflete os rostos de todos os homens de todos os tempos, arguta e criativa, ela mimetiza o mundo e esse seu habitante conturbado, o Homem e é adsorvida por ele.

A 24ª Semana Luiz Antônio traz a criativa itinerância que brota da releitura de grandes clássicos, de personagens que vagaram pelo mundo e foram incorporando os novos tempos, as novas cidades e estéticas. Em seus corações pulsam as lembranças da origem, mas em suas vestes o novo, o arrojado trânsito por locais insondáveis. E como diz o poeta:


a cidade está no homem
quase como a árvore voa
no pássaro que a deixa.

Ferreira Gullar



Evoé! e muita Lu(i)z...



Flávia Marquetti



quarta-feira, 22 de junho de 2011

O grande grito

                                                                                    Danielle Aquino

A “história de verdade, inventada” por Gabriela Rabelo e dirigida por José Renato, espetáculo endereçado especialmente ao público adolescente (lembro a raridade de dramaturgias e encenações voltadas a esse público), aconteceu na tarde de ontem para uma platéia escolar. O atraso de uma escola colaborou para entrada tumultuada de estudantes despreocupados com seu entorno. Assim, o espetáculo que começou atrasado foi se impondo aos trancos e barrancos e os mais interessados puderam embarcar, meio que atabalhoadamente, na viagem do Grupo Luz e Ribalta, ainda que manifestações gratuitas (falo do riso e das exclamações bobas) seguissem acompanhando determinadas cenas até o final da trama quando o elenco foi – surpresa! - ovacionado como se aquela platéia tivesse assistido ao “maior espetáculo da terra”.

O teatro é uma arte que resulta da combinação de vários elementos que são articulados de acordo com a perspectiva cênica eleita por um diretor ou por quem esteja à frente da encenação. A platéia presente teve ontem à sua disposição a oportunidade de apreciar um espetáculo construído com dedicação onde gravitava a maioria dos elementos que compõe uma encenação própria de um palco italiano: elenco afinado, ótimos protagonistas (incrível a semelhança do ator que interpretou Macunaíma com Grande Otelo, em especial pelo timbre vocal), boa sonoplastia, belo projeto de luz (ainda que muitas vezes tateante provavelmente pelo operador não estar ainda familiarizado com a mesa de iluminação), bonito cenário, figurino e adereços adequados... Um elemento fundamental para que o teatro aconteça é o público. Esse, o único elemento que não pode faltar, foi o que deu o tom desafinado de “O grande grito” (que imagino ter sido também motivo do desabafo final de “Mario de Andrade”).

Mas todos nós fomos crianças e adolescentes. Quando adolescente, o teatro que eu conheci era feito nos circos. Findo os números de variedades e trapézio, a gente corria, cada um com sua cadeira para encontrar o melhor lugar em frente à ribalta. Atentos e encantados acompanhávamos os melodramas e comédias que faziam parte de um repertório comum a todos os chamados circos-teatros.

Sei que quando já não somos crianças ou adolescentes, esquecemos o que fomos e podemos ser mais intolerantes do que o admissível, se é que existe intolerância admissível! Mas como educadores, que também somos, temos que aprender a superar esse traço e educar para além da simples instrução escolar. Ir ao teatro é, ou deveria ser um acontecimento, se as escolas preparassem os alunos para tanto (em especial pelo assunto que serviu de base à autora do texto de ontem: o famoso acervo trazido por Mario de Andrade da pesquisa que o escritor fez no norte e nordeste do Brasil no final dos anos 30 e que ficou largo tempo abandonado). E Mario de Andrade sendo especialmente importante para Araraquara, jamais poderia ter sido recebido como o exemplo da tarde de ontem oferecido pela escola que chegou atrasada para a função. Teatros não admitem atraso, ou não devem admitir, e isso é parte inclusiva da educação por meio disso que chamamos cultura.

Quanto ao espetáculo, tivemos a coexistência em cena de duas realidades: uma imaginária, oriunda de personagens literários, da cultura popular e do “espírito” de Mario de Andrade, e outra extraída da vida anômica do nosso dia-a-dia: família, riqueza, trabalho, juventude, droga, crime... Essa dualidade permitiu à dramaturga oferecer aos espectadores um texto cujo maior mérito, segundo minha leitura, foi transformar o tradicional antagonismo que encontramos na eterna discussão entre civilização e cultura, em especial quando visitamos a herança deixada por Rousseau, no fundamento para armar seu conflito dramático. Assim, estava em cena o tesouro representado pela cultura esquecida, oposto à barbárie de personagens reais que entendem essa palavra apenas como riqueza material feita de jóias, ouro e dinheiro. O olhar lacrimoso de Mario de Andrade, sua incompreensão para com o descaso em relação a valores maiores e sua indignação para com a ignorância, violência e brutalidade do nosso cotidiano, desembocaram no “grande grito” de Gabriela Rabelo, cujo pecado foi não ter logrado se libertar da dicotomia que lhe serviu de base. Não foi um pecado capital, pois seu grito também é nosso!

Eduardo Montagnari

UM OLHAR APRISIONADO: O GRANDE GRITO

                                                                                    Danielle Aquino


O Grupo Luz e Ribalta (SP) trouxe Macunaíma de volta à sua terra, com um texto que busca resgatar um outro lado da vida de Mário de Andrade, o de diretor do Departamento de Cultura da cidade de São Paulo. Dividida em dois planos: o espiritual, onde habitam Mário de Andrade, Macunaíma e Exu; e o real, onde se encontram duas famílias que as vidas confluem para um mesmo drama, a peça se propõe a resgatar as angústias e frustrações de Mário de Andrade diante da realidade social brasileira, com seus projetos abortados durante o governo de Getúlio Vargas.

O cenário, composto por caixas e objetos que remetem aos recolhidos na Missão de Pesquisa Folclórica feita em 1937/38, nos oferece a imagem do aprisionamento e empobrecimento de um ideal perdido no descaso da burocracia e desconhecimento do valor real da cultura. O mundo “real” encontra-se dividido em dois focos: um à direita e outro à esquerda deste universo habitado pelo espírito de Mário, Macunaíma e Exu, evidenciando a ponte pretendida por Mário, diminuir o abismo entre as classes sociais, representadas, na peça, pela classe alta e a baixa.

A dramaturgia se perde um pouco entre esses dois universos: o de Mário e os das famílias, parecendo não conseguir transpor de um mundo ao outro com naturalidade. São dois mundos estanques que criam um desnível na apresentação, como se fossem estranhos um ao outro. Ao menos, foi o que ocorreu à tarde, quando assisti. Deve-se ressaltar que a platéia, composta por jovens de escolas de segundo grau da cidade, também não contribuiu em nada para a boa realização do espetáculo, irrequieta, barulhenta, sem qualquer respeito pelos atores em cena e, aparentemente, sem nenhuma idéia de quem era Mário de Andrade, Macunaíma e o universo literário abordado, conversaram, falaram ao celular, jogaram objetos uns nos outros, gritaram histericamente por nada...enfim, uma cena triste e lamentável, que nada mais fez que aumentar a dor das reflexões de Mário de Andrade no palco.
O destaque da peça fica por conta do ator que interpreta Macunaíma, que nos fez lembrar a todos de Grande Otelo tanto na aparência quanto na qualidade da interpretação.

 
Flávia Marquetti

terça-feira, 21 de junho de 2011

Café de Investigação 01: Mônica Nador

Mesa Redonda: Teatro Musical Brasileiro
Eduardo Montagnari, Neyde Veneziano, Luiz Antônio Amaral


                                                                               Fotos: Lívia Cabrera

A SERPENTE

                                                                                        Lívia Cabrera

                                                                                          Lívia Cabrera

As duas experiências que tivemos que provar como público, ontem, na “23ª Semana Luiz Antonio”, foram radicalmente opostas. Saímos do Paço para o Palco do Municipal. Deixamos um espetáculo suspenso na imensidão do ar para entrar no confinamento sombrio de um cômodo familiar. Nada mais contrastante.

Depois de assistir à exibição da “Cia dos Pés”, fomos convidados a mergulhar em outro tipo de aflição estabelecido pelo drama de casais típicos da galeria de personagens compostos por Nelson Rodrigues. Personagens imersos em seus conflitos interiores, inclinados à vulgaridade e incapazes de controlar seus excessos. Personagens que em geral não conversam, mas gritam...

“A Serpente”, drama menor (de um ato) quando o comparado aos outros dramas do autor de “Vestido de noiva” (marco do moderno teatro nacional) também expõe o confinamento e a histeria dos “lares” pequenos burgueses: verdadeiros campos de batalha de personagens atolados numa moral burguesa, que não resistem aos seus impulsos interiores e que se deixam levar por comportamentos que eles mesmos encaram como “sujos” e dos quais não conseguem se livrar. Como em outras peças, esse universo recorrente nas obras de Nelson Rodriguês, foi exposto por um pequeno texto que se alimenta dramaticamente da metáfora anunciada em seu título. Nelson foi por princípio um moralista.

Nada disso é muito novo em se tratando do autor de “Boca de ouro” e, a não ser pela juventude do grupo empolgado com o resultado do trabalho realizado, o que assistimos foi um espetáculo sombrio, principalmente pelo cenário escuro e pelo figurino roxo das duas personagens centrais, em contraste com o vermelho da rápida passagem da empregada mais o branco dos dois buquês utilizados no início da peça e presente no figurino do personagem Paulo. Um ambiente sombrio reforçado pelo roxo da cama, pelo escuro dos adereços de cena e pela iluminação de lâmpadas comuns presas em panelões suspensos que serviram seguidas vezes, aos próprios atores, para focalizarem individualmente os rostos dos companheiros de cena. Recurso que, como o uso das lanternas, só fez acentuar o negror de um palco que a direção entendeu competir ao drama rodriguiniano.

As interpretações do jovem elenco não comprometeram o conjunto frágil do espetáculo e a sonoplastia apenas reforçou o comum de tangos tão recorrentes quando se trata de encenar Nelson Rodriguês. Com a montagem de “A Serpente”, texto que se alimenta do mito que está lá no “princípio tudo”, com Adão e Eva, a “Cia Mênades & Sátiros” de Presidente Prudente, não logrou ser diferente.



Eduardo Montagnari

segunda-feira, 20 de junho de 2011

CASCA DE NÓS

                                                                                         Lívia Cabrera

                                                              Lívia Cabrera

A sugestão estava nos pés e o espetáculo na demonstração de habilidade, coragem e competência de duas bailarinas dançando verticalmente sobre a parede de um edifício. Não tenho formação para falar de dança e nem muito o que dizer sobre grandes intervenções cênicas, se assim posso classificar o espetáculo com o qual a “Cia dos Pés” de São José do Rio Preto nos brindou ontem. Tenho sim, alguma experiência que me permite abordar com mais propriedade questões sobre teatro, dramaturgia, direção cênica, sonoplastia, atuações...
Teatro, essa expressão que é o resultado da combinação articulada de tantos elementos e que se realiza apenas para o olhar, encontra-se agora, cada vez mais, repleto de exemplos de teatralidade que não se caracterizando de forma plena como teatro, no sentido preciso ou conservador do termo, movimentam festivais interferindo nos espaços urbanos e na vida das cidades. Tenho alguma dificuldade para comentar “oficialmente” essas manifestações, pois em geral não consigo ir muito além do meu gosto e admiração pessoais.
O simples fato de alguém escalar uma parede, seja como for, já me parece um ato radical e impensável. Mesmo assim, vou me arriscar a tecer alguns comentários sobre o espetáculo da “Cia dos Pés” e mais diretamente sobre as atuações de Angélica Zignani (que também assina a direção do espetáculo), de Mariana Gonçalves com a colaboração indispensável de Kesler Jamal Contiero (que figura como diretor administrativo). Juntos, eles deram vida a uma celebração que transformou a lateral do prédio da prefeitura numa imensa passarela cênica onde duas bailarinas se movimentaram num plano absolutamente subversivo para nós que estamos acostumados a sentar comodamente nas poltronas das salas de teatro e olhar quase sempre para frente.
A solução foi facilitar para que muitos pudessem apreciar a evolução das duas atrizes de forma confortável, de frente num certo sentido, porque deitados. E aquilo, por si só, se transformou em um acontecimento estranho para o lugar e para o olhar. Aquele cenário de pessoas deitadas olhando para a parede de um prédio pareceu-me estranhamente mais confortável que uma poltrona numa sala de espetáculos. Apreciar o espetáculo sentado numa cadeira na calçada ou na rua foi a solução para quem não pode deitar (lamento não ter experimentando essa perspectiva). Entre sentar e ficar em pé, busquei experimentar as duas opções (a segunda me pareceu mais confortável). De qualquer modo, ontem pude ver e acompanhar com apreensão como muitos, e com encantamento como a maioria, as arriscadas exibições de habilidade, talento e temeridade de Angélica e Mariana. Confesso que ouvi mal os textos, tanto pela qualidade e altura do som quanto pela apreensão com que seguia os movimentos das duas bailarinas e a habilidosa e precisa atuação de Kesler (que do meu ponto de vista deveria figurar como fazendo parte do elenco).
Quero dizer que tudo isso me fez pensar, já que eu deveria escrever sobre o que estava vendo, o que de mais significativo, para mim, estava acontecendo. A exibição conjunta daquelas duas bailarinas/atrizes era a expressão viva de uma interferência naquele espaço da cidade. Por aqueles breves minutos as duas subvertiam e colocavam a cidade praticamente de ponta cabeça. Ali, na parede daquele prédio público elas, não sei se sabiam e se deram conta disso, devolviam àquele espaço, por alguns minutos, seu sentido original: lugar de teatro.
Subvertendo o uso e a ocupação daquele prédio elas remexeram na história da cidade – e na minha memória - devolvendo àquele espaço o teatro que ali existiu de 1914 a 1969 quando foi brutal e covardemente destruído. Pensei muito nisso enquanto olhava o prédio do Paço Municipal, ainda sem entender o que levou aquele prefeito a fazer o que fez (a história de que o prédio estava condenado nunca colou, ou bailes de carnaval jamais poderiam ter acontecido naquele lugar). Olhei para os lados procurando adivinhar se alguém mais estaria pensando o que eu pensava, como se isso fosse possível, quando ouvi o seguinte comentário: “essas moças são mais corajosas que muitos homens” (como se a coragem fosse um atributo essencialmente masculino!).
Só não entendi porque o som ficou confinado na entrada do Paço Municipal quando poderia estar em algum patamar superior saindo pelas janelas do prédio. Sendo isso possível (creio que é) o resultado teria sido certamente bem melhor, mais grandioso e mais adequado às imagens e movimentos executados pelas duas artistas que chegaram imóveis como dois manequins para depois alçarem seus vôos numa movimentação que me fez lembrar do Bob Wilson que vi no Municipal de São Paulo nos anos 70, especialmente pelo vermelho da flor em contraste com o branco do figurino. Uma lembrança que me faz agregar mais um comentário elogioso ao espetáculo: o cuidado com os figurinos (dos três atores) e com os adereços de cena.

Eduardo Montagnari

OLHOS NOS OLHOS COM OTÁVIO

Oi Otávio, que bom vê-lo aqui no blog. Respondendo à tua postagem, acho que a reação na vida real ainda não é a mesma da platéia ao final da peça dos “meninos” da Luna Lunera, mas é com espetáculos como este, sensível e humano, que se pode mudar o olhar preconceituoso da sociedade, afinal, amor é algo que falta e muito em nosso mundo e já dizia Lulu Santos: toda forma de amor vale a pena!  
Flávia Marquetti

O OLHAR SINUOSO DE NELSON RODRIGUES

                                                                                         Lívia Cabrera

                                                                                         Lívia Cabrera

A Cia Mênades & Sátiros, de Presidente Prudente, apresentou na noite de domingo a peça A Serpente, de Nelson Rodrigues. Com elenco jovem, a Cia optou por uma montagem tradicional, com poucas ousadias na encenação. Algumas das escolhas, sobretudo na iluminação, conseguiram efeitos interessantes, como o uso da lanterna em diversos momentos: focada no rosto dos personagens, postados logo à entrada da platéia recebendo os espectadores/convidados, fundindo a foto clássica de casamento às das lápides; no decorrer da peça, o uso das lanternas aludia a um possível inquérito policial, da mesma forma, a figura do “padre”, logo no início da representação, fotografando a platéia e os noivos, mescla a documentação do enlace matrimonial e do crime. O uso de um figurino de cor roxa para as duas irmãs e noivas reforça e antecipa o tom fúnebre destes enlaces. A cama dos casais, que se juntam e se transformam em uma única cama para o triangulo, Lígia/Paulo/Guida, funcionou bem, mas a solução para o salto pela janela não teve a mesma sorte.

Nelson é um texto sempre perigoso, requer um elenco maduro em todos os sentidos, embora as duas jovens que interpretam Lígia e Guida tenham se empenhado e conseguido uma boa atuação, faltou a elas o peso, a densidade que duas atrizes mais “velhas” teriam alcançado. Mas quem gosta de montar Nelson... gosta e a Cia tem tempo e vontade para chegar a esse amadurecimento.


Flávia Marquetti

CASCA DE NÓS E O OLHAR DESLOCADO

                                                              Lívia Cabrera

                                                                                     Danielle Aquino

O grupo Cia dos Pés, de São José do Rio Preto, virou a cabeça do público da 23ª SLAMC com uma proposta bastante original. O espetáculo, Casca de Nós, se propõe discutir o espaço cotidiano, urbano e sua relação com o corpo a partir do deslocamento do olhar, físico inclusive. A Cia colocou toda a platéia a seus pés, deitada (melhor maneira de ver o espetáculo) em colchonetes diante da Prefeitura Municipal. Mais que uma simples inversão na forma de assistir a um espetáculo a proposta do grupo começa por alterar a forma de ver a cidade, os prédios, o que nos cerca e a nós mesmos. Ângulo novo, estranho que, ao romper com a rotina do plano horizontal do olhar, revela detalhes arquitetônicos do espaço, antes não apreendidos, redimensiona a percepção do corpo em relação ao mundo, seja nas sensações táteis do contato com o chão ou da visão, que nos ilude a partir dos movimentos leves, em “câmera lenta” realizados pelas duas integrantes do grupo.

Cuidado, delicado, o espetáculo explora uma trilha sonora bem colocada, que se afina com os movimentos, com o texto, propositalmente fragmentado, solto em pequenos textos, frases e palavras que, como as duas atrizes/bailarinas voam ao vento ecoando dentro dos espectadores. A iluminação do espetáculo à noite revelou delicadezas insuspeitas no espetáculo da tarde (assim como eu, muitos voltaram para revê-lo), mas se surpreenderam ao ver outro. Os movimentos eram os mesmos, assim como a trilha sonora e o texto, mas o sol da tarde produziu outras sombras na parede, diversamente da luz noturna e dos refletores, muito bem explorados pelo grupo, criando belas luas cheias de bailarinas, imateriais, sonho do homem que se projeta descomunal em sua sombra e as tenta alcançar – idealização, saudades, projeção do desejo... tudo cabe nesta deliciosa inversão espacial, na qual o irreal se materializa e o real é mera sombra. Ao deslocar os olhares para a liberdade vertical, a Cia dos Pés nos faz pensar o confinamento no qual vivemos, presos nesta casca de nós/noz que é a casa, a cidade, o próprio corpo, nos convidando a romper a barreira de cimento, a nos permitir um redimensionamento para a vida, virando-a de ponta-cabeça, alterando seu eixo, buscando a leveza e a beleza. Casca de nós me fez lembrar de Asas do Desejo, de Wim Wenders, filme que amo, não só pelo óbvio: a bailarina/trapezista, os anjos, mas por causa do poema que abre o filme, Song of Childhood, de Handke.

Flávia Marquetti

domingo, 19 de junho de 2011

                                                                                         Lívia Cabrera

                                                                                         Lívia Cabrera

Araraquara, 19 de junho de 2011




Queridos atores,

depois de assistir prazerosamente “Aqueles dois” voltei para casa com a tarefa de comentar o que tinha visto. Agora me encontro olhando para o branco da tela do computador na procura de alguma coisa que possa dizer para além do que já expressei quando depois do espetáculo fui levar-lhes meu abraço e meu agradecimento. Não tenho muito para acrescentar... Fiquei comovido, me diverti, me entristeci, me fiz perguntas, não me respondi, me vi...

A arte, sem dúvida, é uma poderosa força e talvez a única com capacidade de emprestar sentido a um mundo sem sentido. Uma força capaz de colocar em evidência a estranheza das coisas que se nos tornaram tão familiares que não mais lhes prestamos atenção. E o teatro – não me lembro quem disse isso - é, dentre todas as expressões culturais, a forma mais pública de apresentar e assistir arte. Uma expressão viva que só se realiza no coletivo.

Ainda que o espetáculo que vocês criaram a partir do conto de Caio Fernando Abreu, fale um pouco mais de perto a um determinado público, não tanto pelo argumento, mas pelas citações e referências carregadas de significados culturais datados e endereçados (cheguei a comentar que assisti “Infâmia” no cinema), o fato é que a platéia inteira se envolveu na trama dos “dois” personagens vividos tão intensa e brilhantemente por vocês, Cláudio, Marcelo, Odilon e Guilherme. Foram todos os presentes que deram em uníssono o veredicto final do que tinham visto: um aplauso sincero, intenso que se prolongaria muito mais se vocês não tivessem tomado a palavra.

A distribuição de dois personagens entre quatro atores foi sem dúvida o grande achado de uma leitura cênica que permitiu estender – universalizar - o drama para além do caso particular do amor entre duas pessoas do mesmo sexo. O caos de uma sociedade carente de sentido em si mesma, embrutecida e repressora, estava ali, presente na confusão, na austeridade e na feiúra de um ambiente entupido de objetos e adereços carregados de simbologia. E a única coisa capaz de dar algum sentido e direção em meio àquele caos era a luz, muitas vezes sutil pelo uso sutil das luminárias, eram os gestos, a movimentação precisa e a fala afinada de vocês, entre vocês e as vezes para nós.

As qualidades épico-dramáticas que vocês apontam estarem presentes no conto de Caio Fernando Abreu, e que certamente serviu de alimento à direção coletiva que vocês mais Rômulo construíram, garantiram a necessária estranheza cênica de um desenrolar dramático que superando o sentimentalismo característico dessa forma de fazer teatro, lograram uma dimensão épica que contrastava com o naturalismo brutal e repressor imposto pelo cenário e pelos adereços.

Quero rematar dizendo que há muito não via um espetáculo tão gratificante. Agradeço em nome da Semana Luiz Antonio... Estamos felizes por vocês terem estado aqui. Esperamos que voltem mais vezes.



Eduardo Montagnari

"Personagens de Porão" (proibido entrar adultos)







                                                                               Fotos: Lívia Cabrera             

À LUZ DOS TEUS OLHOS: MIGUILINS E AQUELES DOIS

                                                                                         Lívia Cabrera

                                                                                         Lívia Cabrera

                                                                                         Lívia Cabrera

O segundo dia da SLAMC foi dedicado a olhares poéticos sobre universos bem distintos, à tarde quatro jovens do Grupo Miguilins, de Codisburgo (MG), nos encantaram ao contar as histórias que giram em torno de Miguilim, personagem de Guimarães Rosa que está no livro Campo Geral. Miguilim é uma doce visão do universo da criança, doce... não porque não haja sofrimento em seu mundo, há e ele sempre envolve as relações afetivas ligadas à família. Mas, talvez por ser míope, como foi o próprio Guimarães, seu olhar sobre o mundo é diverso, vareado, emprestando ao objeto olhado a beleza que vem do sentimento, iluminando-o e nos fazendo ver sob um outro ângulo. Assim foi também a apresentação dos Miguilins, terna, doce e, apesar de muito jovens, impecáveis na voz, na postura, na entonação de um texto “poético” que exige a modulação e a compreensão profunda de um estado de alma. Nós, como Dito, ficamos a pedir: “conta mais, Miguilins, conta mais...”

E neste universo mineiro, nossos olhares convergem para a Cia Luna Lunera. Agora o espetáculo é “Aqueles dois”, quatro atores e dois personagens do conto homônimo de Caio Fernandes Abreu. Quatro olhares sutis, doces, exatos na composição de uma dramaturgia que se revela envolvente, apaixonada e rica ao desvelar o universo do surgimento de um amor e o preconceito em relação a este. O ponto de partida para o espetáculo é o preconceito explicitado de uma repartição pública ao “farejar” uma possível relação homossexual entre dois funcionários. Mas a peça vai mais além, muito mais.

Desmistificando o encontro afetivo entre duas pessoas, que são do mesmo sexo, o espetáculo, tecido em fios de seda, desmascara a solidão nas grandes cidades e, porque não, nas médias e pequenas; revela os olhos vazios daqueles que não concebem uma vida própria, mas que ainda se pautam em modelos pré-estabelecidos; na inveja, na cobiça e no ódio, sempre velado, dos que ousam viver verdadeiramente.

Para alcançar este resultado primoroso, a Cia Luna Lunera, multifacetou os personagens, que são assumidos por todos os atores, em um revezamento que demonstra a integração e conjunto da Cia, criando em cena jogos que quebram a tensão dramática, fazendo com que o público se divirta, ria e se identifique com as situações, mas sem perder a intensidade, o foco de sua proposta. O cenário, atravancado de objetos, vai se revelando multifuncional, magicamente alternando o espaço público e o íntimo: repartição e quarto.

Nada sobra ou falta neste conjunto, até mesmo os sinais de início da peça são deliciosamente utilizados, com uma ambiguidade mais tarde revelada: são os sinais para o início da peça, mas também são os sinais que revelam o encontro de Raul e Saul. A dramaturgia e o texto ganham uma multiplicidade de sentidos a cada cena, explorando todas as suas possibilidades: como nos desenhos, apenas delineados e de olhos vazios que um dos personagens faz e os vai colando ao fundo, e que mais tarde, quase ao final da peça, são coloridos e se transformam nos rostos dos colegas de repartição, todos “iguais” em sua infelicidade. Os únicos olhos brilhantes são os de Saul e Raul... e os do público, claro!
Flávia Marquetti

sábado, 18 de junho de 2011

“HÁ MUITOS TEATROS EM UM SÓ TEATRO” (em torno da peça “O horácio”)

                                                                                        Lívia Cabrera

                                                                                         Lívia Cabrera


A maior batalha que a “X Turma de Teatro Barão de Mauá” de Ribeirão Preto teve que travar ontem às 24 horas, não foi a que estava sendo demonstrada, para utilizar uma expressão afinada com a forma de teatro que estava sendo encenada, no saguão do Teatro Municipal. O piso escorregadio do saguão do teatro e a acústica nada favorável exigiu dos estudantes/atores uma atenção dobrada que tornou a encenação quase que um teatro de risco. Os desequilíbrios e escorregões, facilitados pelos elementos cênicos, ovos, melancia, vinho, farinha, tornaram o espaço um verdadeiro campo de batalha de acordo com a sugestão proposta pela dramaturgia do alemão Heiner Muller (1929-1995).

Heiner Muller (aproveito para lamentar a ausência de material impresso com maiores informações e detalhamentos sobre a obra, ano em que foi escrita, sobre o autor encenado e sobre a própria encenação), aponta Ingrid Koudela, foi um dos maiores e um dos nomes mais radicais da dramaturgia alemã da segunda metade do século passado, aquele que respondeu pelo aprofundamento de um dos aspectos mais negligenciados da obra teatral do também alemão Bertolt Brecht (1898-1956): seu chamado teatro didático, ou de aprendizagem.

Esse momento da produção dramática de Brecht (intermediária entre a produção do “jovem” e do Brecht “clássico”) é feita de trabalhos (pequenas peças e textos teóricos) que tinham como objetivo explícito servir de ‘experimentos’ para adolescentes, jovens estudantes, militantes políticos, sindicalistas, atores em geral. As peças são pequenas obras que não podem e não devem – como insistem alguns - serem encaradas como peças dogmáticas, uma vez que em nenhuma delas existe uma preocupação de se expor verdades eternas, absolutas, como muitos costumam repetir. Lembro que entre elas, o único texto que fala diretamente da luta de classes é A exceção e a regra (e para quem quiser avançar um pouco nessa discussão convido para apreciarem a radiofonização desse texto, que sob nossa direção, estará sendo levado ao ar na próxima quarta feira - dia22 - às 18 horas no Teatro Municipal).

Esse teatro didático compreende escritos que identificam uma dramaturgia centrada em uma estrutura aberta que mediante o exercício da razão encontra na dialética um instrumento que se coloca a serviço de uma realidade que pode e deve ser demonstrada como passível de modificação. Esse é, de resto, o principal objetivo da forma épica de teatro proposta por Brecht: demonstrar. Trata-se de um teatro narrativo como o que a “turma de Ribeirão” escolheu encenar para exercitar e aprender questões relativas a essa forma de fazer teatro

Recorro a essas considerações porque O horácio encenado consiste em uma leitura que Heiner Muller fez sobre uma peça didática de Brecht chamada Os horácios e os curiácios (1934) que, por sua vez, teve como base a própria História: a formação de Roma e a guerra ocorrida na cidade de Alba no século VII a.C. Há muitas considerações para serem feitas sobre o texto e essa forma de teatro proposta por Brecht, mas não é o momento e nem há espaço para tanto. Lembro apenas que Os horácios e os curiácios configura uma peça – enunciada como escolar - e que, de acordo com Brecht, deveria ser encenada por crianças com no máximo 13 anos e a encenação, por sua vez, deveria incluir diálogos do coro com a platéia para que o processo de aprendizagem pudesse ser atingindo através da troca de idéias. Não há intenção de que a peça se torne um produto acabado, de resto como as demais peças didáticas.

O horácio de Muller adentra mais profundamente o universo da poesia e tendo como base o final da peça de Brecht (quando o horácio é aclamado em Roma) centra sua discussão não no coletivo mas no indivíduo. Na leitura de Muller a ameaça não sendo mais a invasão dos curiácios (habitantes de Alba) muda o foco (conflito) para a escolha de quem vai lutar pelas duas cidades contra o inimigo comum que nunca aparece: os etruscos. Horácio, o vencedor, mata o curiácio, noivo de sua irmã que acaba sendo assassinada por não festejar sua vitória. Assim, o julgamento instaurado tem como discussão investigar se o curiácio deve ser honrado como vencedor ou julgado como assassino.

O texto de Muller tem a grandeza dos grandes poemas épicos e aprofunda a intenção de Brecht de fazer de suas obras didáticas um experimento dialético. Nessa direção Muller encontra na troca de papéis um dado que aprofunda a máxima “há muitos objetos em um só objeto” (estabelecida por Brecht em Os horácios e os curiácios) transformando-a em um emblemático e paradigmático “há muitos homens em um só homem”.

Mas o tema aqui não é o texto de Heiner Muller mas a encenação da “X Turma de Teatro Barão de Mauá” de Ribeirão Preto e nossas considerações devem ser sobre o espetáculo dessa virada de noite: afinal teatro não é a dramaturgia que podemos ler solitariamente e que nossas escolas não nos ensinam a apreciar (afinal, para a imensa maioria, “ler teatro é chato”), mas a peça encenada, viva, que só existe para quem a faz e quem a VÊ.

Assim, o que vimos foi com certeza um exercício difícil, de entrega, uma ousadia e um risco (no sentido metonímico e metafórico) ao qual se dedicou com paixão a turma de Ribeirão Preto. Isso é o que ficou de mais claro e evidente durante o espetáculo. O uso dos adereços de cena - ovo/vinho/frango/farinha/melancia -, o quadro negro, a repetição, a música, evidenciaram o processo épico que fundamentou a pesquisa e a encenação. O ponto mais débil da encenação ficou por conta das falas (da narrativa) que se perderam... Ora, pela acústica (que não colaborou), ora pela fragilidade da emissão/articulação de vozes (isso é “natural” entre jovens estudantes) carentes de mais estudo e aprimoramento (a respiração é fundamental!) em uma peça em que as palavras desempenham um papel que eu chamaria de protagonista e que, parafraseando Muller, devem permanecer inteiras.

Entretanto, o caráter experimental da encenação, sua qualidade de estratégia política e estética (afinal escolher não é um ato descompromissado) é um mérito e uma empreitada que merece ser louvada e que manteve a platéia silenciosa, aflita (pelo risco dos escorregões) e atenta ao desenrolar da trama. Essa estratégia correspondente a um meio de ensino/aprendizagem (como quis Brecht e Muller) fundamentou uma encenação armada com perguntas e respostas, inserção de letras e de canções populares (ressalto a letra de “Tem que acontecer” de Sérgio Sampaio, título homônimo de um belo vinil dos anos 70), interrogatórios, julgamentos, e o uso recorrente da repetição como recurso primoroso e não muito habitual para o nosso teatro feito quase que inteiramente de produtos acabados que encontram no mercado seu principal objetivo.

A música, muitas vezes frágil e nem sempre adequada, especialmente na cena final, que cria um clima (no teatro épico não se trata de criar “climas”) pouco adequado ao desenvolvimento do espetáculo, produziu um ar de “grande final” em contraste com o cenário instigante, feito de restos de adereços despedaçados espalhados pelo chão de granito que, no decorrer do espetáculo, seguidas vezes, desequilibrou alguns atores.



Eduardo Montagnari.


18.06.2011

OLHARES CEGOS NO PRIMEIRO DIA DA SEMANA LUIZ ANTÔNIO: HISTÓRIA DE ÉDIPO E O HORÁCIO

                                                                  Lívia Cabrera

                                                                                        Lívia Cabrera

                                                                                        Lívia Cabrera

                                                                                         Lívia Cabrera

A Semana Luiz Antônio começou com dois textos que aparentemente não possuem nada em comum, A História de Édipo, com o Grupo Andante (MG), e O Horácio, da X Turma de Teatro – Barão de Mauá. O que a princípio parecia ser um abismo, pois o primeiro foi escrito no século IV a.C. e o segundo no século XX, foi na verdade uma feliz aproximação. Se na História de Édipo temos como ponto chave o dilema diante do (pré)destinado ao homem e a necessidade de escolher um caminho na tripla encruzilhada, sem saber/ver aonde realmente vai nos levar; em O Horácio há o questionamento das escolhas feitas pelos outros (Estado/poder) para nós, que o seguimos cegamente.


A cegueira, ponto comum às duas peças, se manifesta em formas diferentes: em Édipo é primeiro metáfora de seu desconhecimento e, digamos, arrogância, de rei que ousa governar, dirigir a cidade sem, no entanto ser senhor de sua própria história, pois desconhece sua origem, depois de lhe ser revelada sua verdadeira origem, Édipo cega-se fisicamente, explicitando a incapacidade, ou melhor, a fragilidade do homem diante do destino. Em Horácio a cegueira, do personagem, está em assumir o destino de Roma como seu, anular a pessoa, o humano em prol do Estado. Mas Heiner Müller vai bem mais além, ao apontar o destino trágico de seu personagem, aponta para a cegueira de toda a civilização ocidental, antiga ou moderna, matar em nome da guerra e tronar-se herói é diferente de ser um assassino? Eis aí a cegueira e a escolha em O Horácio.


Em ambas as peças é preciso saber ver para compreender as escolhas estéticas. A montagem de História de Édipo apresentou uma roupagem nova para um texto primoroso, explorando a especialidade cênica obtida por um andaime, o grupo soube aproveitar os altos e baixos, dentro e fora da estrutura para construir o palácio de Édipo, a disposição da arquibancada, circundando o andaime, conferia ao público o lugar de povo de Tebas. Embora tenha irritado os olhos e garganta de alguns espectadores, a fumaça constante, feita com incenso e pó de café, trouxe a peste, a morte e os outros males, descritos no texto, para a cena. Achados sutis e muito bem colocados no espetáculo foram: a dupla máscara para Tirésias, o adivinho cego, que tanto remetia ao seu conhecimento de passado e futuro, quanto ao fato de ter ele experimentado os dois sexos, pois sendo homem, foi metamorfoseado em mulher pelos deuses, voltando a ser homem depois. Outra sutileza foi a utilização de quatro ovos, deixados cair do alto do andaime, cada qual num lado, simbolizando o fim da descendência de Édipo e Jocasta, seus quatro filhos: Etéocles, Poliníces, Antígona e Ismênia; a bola de cristal verde nas mãos de Jocasta, que a deixa cair nas mãos de Édipo, como símbolo do destino comum. Vale lembrar ainda o uso da música ligada às falas do coro, resgatando um expediente da tragédia grega. Enfim, um belo espetáculo.


As escolhas da X Turma de Teatro – Barão de Mauá foram igualmente felizes ao jogarem com a densidade do texto e músicas irreverentes, no uso de vinho para indicar o derramamento de sangue, dos ovos (engolidos crus pelos personagens) aludindo às vidas devoras/extintas pelos soldados, cabendo ao soldado que maior número de ovos conseguiu engolir a “honra” de ser o escolhido para lutar por Roma, foi bastante expressiva, assim como a melancia/corpo devorada pelos romanos, as quebras bem ao sabor brechtiniano das frases escritas na lousa, das cenas cômicas, das narrativas e repetições. Um belo fecho para esta primeira noite.



Flávia Marquetti

quarta-feira, 15 de junho de 2011

23ª Semana Luiz Antônio abre temporada com “Édipo”




O tema “Olhares Múltiplos” permeia a programação da 23ª Semana Luiz Antônio Martinez Corrêa – Festival de Teatro (SLAMC), que se inicia no dia 17, em Araraquara, seguindo até 26 de junho. Com realização da Prefeitura de Araraquara - por meio da Secretaria Municipal de Cultura e Fundart e com a parceria do SESC, SESI, SENAC e Oficinas Culturais Lélia Abramo do Governo do Estado de São Paulo – a SLAMC chega com mais de 20 espetáculos teatrais e uma grande programação complementar.


A programação do dia 17 se inicia com o Grupo Teatro Andante (Belo Horizonte - MG), que apresenta “A História de Édipo”, às 20h30, na Praça Pedro de Toledo. Às 23h59, no saguão do Teatro Municipal, a X Turma de Teatro – Barão de Mauá apresenta “O Horácio”.


Também, no saguão do Teatro Municipal, de 17 a 26 de junho, haverá a exposição fotográfica “‘Interiolhar’’, com fotos de cena de Maribel Santos.


Os ingressos para “O Horácio” serão distribuídos a partir das 13 horas, na bilheteria do Teatro Municipal, sendo até dois ingressos por pessoa. Para o espetáculo de abertura, na Praça Pedro de Toledo, não é necessário ingresso. Toda a programação é gratuita.




“A História de Édipo” - Grupo Teatro Andante (MG)

Teatro Andante apresenta “A História de Édipo” em versão para a rua

O Grupo Teatro Andante apresenta na rua, através de um espetáculo ousado, dinâmico e contemporâneo, a história do mito de Édipo, escrita por Sófocles, há 2500 anos, e famosa até os dias de hoje.


Através da investigação sobre a morte de Laio, o Rei Édipo, descobre a grande surpresa que o destino lhe reservou: ele, sem saber, casou-se com a própria mãe e assassinou o próprio pai. Assim, configura-se um dos mais famosos mitos trágicos da humanidade: a história do homem que, em busca de suas origens, instaura os princípios da ética que nos conduz.


Édipo Rei - Nessa releitura do mito de Édipo para a rua, o objetivo do grupo é levar as histórias famosas da humanidade para parcelas da população que não freqüentam as salas comerciais de teatro. Para isso, o Grupo Teatro Andante construiu um espetáculo contemporâneo, ágil, ousado na linguagem, politicamente atual e contundente na comunicação com o público.


É um texto atual porque grande parte das pessoas já ouviu falar em Édipo, ao menos através do famoso “complexo do Édipo”, popularizado pela psicanálise. Mas o mito de Édipo é mais do que isso: fala da ambição do poder, da impunidade, dos limites do público e do privado, da importância de cada pessoa assumir sua própria história, da grande questão entre a determinação do destino e o livre arbítrio.


O teatro sem truques, o jogo explícito e compartilhado com o público, sem rotundas, sem coxias, o espaço em forma de arena, são elementos da pesquisa do grupo, mais uma vez presentes nesse espetáculo. Fortificando sua pesquisa no trabalho do bastão, na pré-expressividade, no jogo do ator, e entre o ator e os outros elementos da encenação como a música e o espaço cênico, o Grupo Teatro Andante volta à rua, cara a cara com a platéia, fazendo do público o “povo de Tebas”.


A trilha sonora é realizada ao vivo, com guitarra, acordeom e elementos de percussão. O cenário é um andaime: um palanque, uma tribuna, um monólito que dá a dimensão para criar a relação de grandeza da tragédia.


Sem dúvida esta será uma ótima oportunidade para o público assistir “Édipo Rei”, escrita por Sófocles há 2500 anos.


Em 50 minutos de encenação, com texto de fácil entendimento e sem carregar na dramaticidade, o Teatro Andante apresenta a história de Édipo e Jocasta, a peça clássica grega mais popular, sempre montada com as mais diversas adaptações e interpretações em todo o mundo.


Grupo Teatro Andante - É hoje um dos mais atuantes e importantes grupos de teatro de Belo Horizonte, tendo participado de festivais nacionais e internacionais. Fundado por Marcelo Bones e Ângela Mourão, em 1990.


Durante toda a sua história de 20 anos de existência, o Andante tem tido como fios condutores de suas produções a pesquisa de linguagens teatrais e a descentralização artística e difusão do teatro para parcelas da população que não têm acesso às casas de espetáculos e que estão fora dos eixos culturais.


A marca do Grupo Teatro Andante é realizar espetáculos com grande qualidade artística e técnica, dirigidos a qualquer público e que possam ser apresentados em espaços variados. Entre outros eventos, o Grupo participou do projeto Palco Giratório do SESC-Nacional se apresentando em 35 cidades de 17 estados brasileiros. Fez parte de projetos como, Trilhas da Cultura, patrocinado pela empresa Belgo Mineira – Arcelor Mittal.


O Grupo também desenvolve oficinas, tais como técnicas corporais, máscaras teatrais, palhaço, técnica e dramaturgia para teatro de rua, formação de educadores, entre outras, uma vez que seus integrantes são professores de teatro.


Interessado no intercâmbio artístico, o grupo participa de ações de compartilhamento e formação, e de movimentos teatrais locais, nacionais e internacionais. O Circuito Off (reunião de grupos que realizam ações integradas em Belo Horizonte), o Redemoinho (que agrega 41 grupos teatrais de todo o Brasil com o objetivo de discutir, promover intercâmbios, trocas de experiências e ações integradas) e o Linea Trasversale (aliança internacional com sede na Itália, que realiza encontros de compartilhamento e estudos) são exemplos da atuação do Andante.


Ficha Técnica
Direção: Marcelo Bones
Elenco: Angela Mourão, Beto Militani, Gladys Rodrigues, e Glauco Mattos
Ator local convidado: Luciano Pacchioni
Adaptação, concepção e produção: Grupo Teatro Andante
Dramaturgia: José Carlos Aragão
Iluminação: Chico Pelúcio e Felipe Cosse
Figurino: Marney Heitmann
Direção Musical: Claudia Cimbleris
Duração: 50 minutos

sexta-feira, 3 de junho de 2011

Semana Luiz Antônio chega com mais de 20 espetáculos


Sara Antunes em cena de "Sonhos para Vestir"
Cenário-instalação de Analú Prestes. Direção de Vera Holtz


Os “Olhares Múltiplos” conduzem a programação da 23ª Semana Luiz Antônio Martinez Corrêa – Festival de Teatro (SLAMC), em Araraquara, de 17 a 26 de junho. Com realização da Prefeitura de Araraquara - por meio da Secretaria Municipal de Cultura e Fundart e com a parceria do SESC, SESI, SENAC e Oficinas Culturais Lélia Abramo do Governo do Estado de São Paulo – a SLAMC chega com mais de 20 espetáculos teatrais e uma grande programação complementar.


“A Semana Luiz Antônio tem um significado de importância política e cultural não só para o teatro, pois seu surgimento se dá também com a participação de várias outras linguagens artísticas”, comenta Euzânia Andrade, secretária municipal da Cultura.

“A Semana surgiu na década de 80 como uma atitude de resistência política-cultural por um grupo de artistas das diferentes linguagens, em prol da democracia e da luta para uma política cultural para a cidade de Araraquara, e ela marcou definitivamente a história cultural de nossa cidade. Neste momento podemos refletir sobre a importância da arte nos movimentos políticos e como ela pode contribuir para o desenvolvimento cultural de uma sociedade”, disse a secretária.



O conceito de reflexão desta edição da Semana tem a ideia dos "Olhares Múltiplos", apontando para as formas de ver e ser visto. De acordo com Jorge Okada, gestor de projetos da Secretaria Municipal da Cultura, a palavra “teatro” vem do vocábulo grego “theastai” que significa ver, e “theatron”, é o lugar de onde se vê. “Daí a proposta de se ver em cena a multiplicidade do olhar”, complementa o gestor.


Para tanto, a programação será aberta na sexta-feira (17, às 20h30) com a “A História de Édipo”, recontada de uma maneira contemporânea, na Praça Pedro de Toledo, pelo grupo mineiro Teatro Andante. A história é uma das mais montadas no teatro em todos os países do mundo e, apesar de ser uma história tão antiga, o Teatro Andante procura contá-la de maneira bem moderna, com figurinos contemporâneos, música tocada ao vivo e fogos de artifício.


Além da Praça, diversos outros espaços serão utilizados durante a programação: Teatro Municipal, Teatro Wallace Leal Valentin Rodrigues, teatros do SESC, SESI e SENAC, Prefeitura, Biblioteca Pública Municipal Mário de Andrade e Palacete das Rosas Paulo A.C. Silva.


Além dos espetáculos, a SLAMC traz uma programação complementar, que vai além dos espetáculos agendados: oficina, show, café de investigação, bate-papo e mesas redondas, além da exposição fotográfica “Interiolhar”, de Maribel Santos, com 32 fotos de cenas de teatro, dança e música, no Teatro Municipal (dia 17).

No dia 17, ainda, também haverá o espetáculo “O Horácio”, do dramaturgo alemão Heiner Müller, às 23h59, no saguão do Teatro Municipal, com a X Turma de Teatro, do Centro Universitário Barão de Mauá. O experimento foi criado durante realização da disciplina Interpretação II - Teatro Narrativo, ministrada pelo professor Carlos Canhameiro, com coordenação de Mirian Fontana.


O segundo dia (18) da SLAMC apresenta uma programação intensa, que se inicia às 9h30, no SESC, com Cláudio Dias e Marcelo Souza e Silva, da Cia Luna Lunera (MG), na oficina “O Ator Criador”. São 20 vagas e as inscrições podem ser realizadas na Central de Atendimento do SESC.
Estão reservadas duas atividades na Biblioteca Municipal Mário de Andrade: “Miguilins de Codisburgo”, às 16 horas, e “Personagens de Porão - uma aventura infantil”, às 22 horas (este último destinado a crianças com idade entre 8 e 10 anos; inscrições pelo fone 16 3332-0777).


“Miguilins de Codisburgo” apresenta narrativas de trechos do lírico conto “Campo Geral”, da obra Manuelzão e Miguilim, de João Guimarães Rosa. Composto por adolescentes, com idades entre 13 e 20 anos, o grupo tem contribuído ativamente para a divulgação e preservação da oralidade e da obra de Guimarães Rosa, a partir da narração de fragmentos literários do escritor. O grupo ‘Contadores de Estórias Miguilim’ foi criado em 1996, por Calina da Silveira Guimarães, prima de Guimarães Rosa, com o objetivo de socialização de crianças e jovens da cidade de Cordisburgo (MG), quebrando as barreiras sugeridas pela dificuldade e seletividade da obra do escritor.


Às 20 horas, dois espetáculos distintos, em espaços diferentes: “Aqueles Dois”, com Cia Luna Lunera (MG), no SESC (recomendação etária: 16 anos); e “Baobá”, com Cisne Negro Cia de Dança (SP), no SESI (144 lugares - retirada de convites com uma hora de antecedência no SESI).

“Aqueles Dois” foi criado a partir do conto homônimo de Caio Fernando Abreu e mostra a rotina de uma "repartição" - metáfora para qualquer ambiente inóspito e burocrático de trabalho, revelando o desenvolvimento de laços de cumplicidade entre dois de seus novos funcionários, o que gera incômodo nos demais.

Um Pocket Show Maldito, às 23h59, no Teatro Wallace Leal Valentin Rodrigues, encerra as atividades do sábado.

No domingo (19), um dos destaques é a Cia dos Pés, com o espetáculo “Casca de Nós”, às 16 e 20 horas, nas paredes do prédio da Prefeitura. “Inverteremos o olhar: o público estará deitado no chão da Esplanada das Rosas para garantir a melhor visão do Teatro Físico, que será encenado na parede da Prefeitura”, revela Okada.

O espetáculo é uma abordagem sobre a ocupação sentimental dos espaços, casas, quintais. A casa como uma “casca de nós”, cada uma de um jeito, cada casca com sua história. Depois do espetáculo, às 17h, os atores da Cia do Pés realizam o bate-papo “Dança e Teatro na Vertical” com interessados, no Palacete das Rosas.

A agenda do domingo apresenta o infantil “Zôo-ilógico”, com a Cia Truks (SP), às 11 horas, no SESC (retirada de convites a partir das 9h), show com Sotaque Paulista (Choro das Águas, às 18h, na Praça do Daae).

O espetáculo “A Serpente”, com Mênades & Sátiros Cia de Teatro (Presidente Prudente), às 21 horas, no Teatro Municipal. O texto de Nelson Rodrigues revela o universo de duas irmãs que vivem com seus maridos em quartos vizinhos, no mesmo apartamento presenteado pelo pai. Ambas se envolvem numa paixão repentina e a impossibilidade de viver esse amor as levará a cumprirem destinos incertos.

As atividades da segunda-feira (20) voltam-se para a formação e investigação da cena teatral, com o Café da Investigação nº 1, com Mônica Nador, às 18 horas, no Teatro Municipal; e a mesa redonda “Teatro Musical no Brasil”, com Neyde Veneziano, às 20 horas, na Biblioteca Municipal Mário de Andrade.

Mônica Nador é uma artista plástica que propõe um novo olhar de cor às comunidades periféricas da cidade de São Paulo. Sua participação deve agregar também o público do Território da Arte de Araraquara, que segue até 26 de junho. Já Neyde é especialista em Teatro de Revista e Teatro Musical no Brasil.

Na terça (21), o grupo Luz e Ribalta (São Paulo), com direção de José Renato, apresenta “O Grande Grito”, às 16 horas (para alunos do ensino médio, com agendamento pelo fone 3336-5183) e às 20 horas (retirada de convites a partir das 13h, no Teatro Municipal).

A autora de “O Grande Grito”, Gabriela Rabelo, partiu de fatos reais para contar a história do acervo trazido pela Missão de Pesquisas Folclóricas (excursão ao Norte e Nordeste feita em 1937/38 sob a orientação de Mário de Andrade) e que permaneceu abandonado em um depósito de uma biblioteca pública no bairro da Lapa, em São Paulo.

No meio desses muitos objetos trazidos pela Missão destaca-se uma escultura firmada de Exu, que ganha vida nesse cenário e aprisiona “o espírito” de Mário de Andrade, até que este cumpra a promessa de lhe dar um lugar de honra em São Paulo. Macunaíma vem sempre visitar seu criador e esses três personagens discutem ali uma forma de cada qual retomar seu caminho. Às 18 horas, Gabriela Rabelo é a convidado do Café de Investigação nº 2, no Teatro Municipal.

No dia 22, quarta, a Semana apresenta um espetáculo que não depende do olhar: a platéia será convidada a ouvir a peça radiofônica "A Exceção e a Regra", de Bertold Brecht, na adaptação e direção de Eduardo Montagnari, e assim, ver através da imaginação as cenas da obra alemã. A apresentação será às 18 horas, no saguão do Teatro Municipal, onde na sequência será realizado o Café da Investigação nº 3 com Montagnari.

Dois espetáculos ocupam o horário das 20 horas na quarta “Fontainebleau”, com a Cia Tan-Tan (SP), no Teatro Municipal (retirada de convites a partir das 13h no Teatro); e “Chá das Duas”, com o Grupo Contos e Cantos, no SENAC Araraquara (retirada de convites a partir das 13h no SENAC).

“Fontainebleau” dá continuidade às pesquisas e desenvolvimento do trabalho de palhaço da Cia, divertindo o público com situações cotidianas, improvisações, temas e críticas para uma reflexão e conscientização mundial.

Em “Fontainebleau”, os pintores impressionistas Claude Monéio (palhaço Néio) e Auguste Fenoir (palhaço Feno), saem do atelier e vão para a floresta Fontainebleau em busca de inspiração para pintar. Ao encontrarem a belíssima Fina Arbre (palhaça Fina), disputam o melhor lugar para pintá-la. Fenoir perde a memória e acredita ser, Olavo Bilac, D. Pedro I e Tarsila do Amaral.

O espetáculo “Negrinha”, às 22 horas, no Palacete das Rosas, apresenta Sara Antunes, com direção de Luiz Fernando Marques, num espetáculo em que a reflexão se faz sobre os olhares impregnados de preconceito. Inspirado em texto de Monteiro Lobato, “Negrinha” conta a história de uma menina negra que possui fascínio pelas cores das pessoas. O enredo se passa no século XIX e, através da imaginação da personagem principal, são denunciadas as contradições de sua época. A recomendação etária é apara maiores de 14 anos, sendo a retirada de convites a partir das 13 horas, no próprio Palacete.

Sara Antunes também é atriz do espetáculo da quinta-feira (23): “Sonhos para Vestir”, no Teatro Municipal, às 22 horas. A peça - criada pela própria atriz e também pela artista plástica Analu Prestes – tem direção de Vera Holtz. Aqui, o público volta seu olhar para o lúdico. A peça se passa durante a noite, quando uma mulher insone, em estado de devaneio, tem uma viagem sensorial, e compartilha seu diário e suas cartas com o público. Com lugares limitados (130), os ingressos serão distribuídos a partir das 13 horas, no Teatro. A recomendação etária é para maiores de 14 anos.

Vera Holtz e Analú Prestes tiveram grande contato com o Luiz Antônio Martinez Corrêa, no Rio e em São Paulo. As artistas engrandecem a agenda da SLAMC com a participação do Café de Investigação nº 4, às 18 horas, no saguão do Teatro Municipal.

O Grupo 59 (São Paulo), com direção de Cristiane Paoli Quito, apresenta no Teatro Municipal, “O Gato Malhado e a Andorinha Sinhá”, às 16 horas. Na história de Jorge Amado, a alegre Andorinha Sinhá nutre um amor incomum pelo mal-humorado Gato Malhado. Juntos, eles tentam superar suas diferenças. A retirada de convites é a partir das 13 horas, no Teatro.

Com 144 lugares, no teatro do SESI, será apresentado “Louise Valentina”, com Simone Spoladore e Felipe Vidal, às 20 horas. A recomendação etária é de 16 anos, sendo a retirada de convites realizada com uma hora de antecedência, no SESI. O espetáculo será apresentado no mesmo horário, também na sexta-feira.

Os alunos do Curso Técnico em Arte Dramática – realizado numa parceria entre a Prefeitura e o SENAC-Araraquara - abrem a programação da sexta (24), com “O Deserto na Alma e a Cidade Paraíso”, na Praça Pedro de Toledo, às 18 horas. A intervenção é posposta a partir da dramatização de alguns textos retirados das histórias do “Sr. Keuner”, de Bertolt Brecht, e frases de Hermann Hesse, na qual se busca uma reflexão sobre o ser humano, a cidade e a miséria. A partir de olhares múltiplos sobre o universo do que é a carência, o espetáculo propõe um diálogo entre as propostas de Brecht para o teatro e a dramaturgia contemporânea.


Às 20 horas, duas outras apresentações: “Valsa nº 6”, com a Cia Labirinto (Matão-SP), no Teatro Wallace Leal Valentim Rodrigues, com 70 lugares (retirada de convites a partir das 13h, no Teatro Wallace), e “Louise Valentina” (citado acima).

“Amor que não Ousa Dizer seu Nome”, com a Cia Filhos de Alfredo (São Paulo) e direção de Milton Morales Filho, fecha a programação da sexta, às 22 horas, no Teatro Municipal. O espetáculo levanta a temática de discriminação em relação ao comportamento homossexual, retratando dois episódios separados por quase um século: o julgamento de Oscar Wilde e a história do Maníaco do Trianon. No palco: o ator araraquarense Alexandre Cruz e também Marcelo Braga. Os lugares são limitados (130) e a retirada de convites será realizada a partir das 13 horas, no Teatro.

No sábado (25), véspera do encerramento da SLAMC, a Praça Pedro de Toledo recebe “Este Lado Para Cima – Isso Não é Um Espetáculo”, com a Brava Cia (São Paulo), às 17 horas. O grupo figura nos maiores festivais de teatro do país, apresentando este espetáculo de rua que fala sobre o poder do mercado e o controle das relações humanas exercido por ele. O tema é discutido com um humor anárquico e revolucionário.

Depois, às 20 horas, no Teatro Municipal, será encenado “Casa/Cabul”, com o Núcleo Experimental de Teatro (São Paulo), com Chris Couto e Sérgio Mastropasqua, e direção de Zé Henrique de Paula. O espetáculo traz o olhar para o testemunho de uma mulher, sobre o conflito do Afeganistão. O misterioso desaparecimento da personagem conhecida com Dona de Casa, uma inglesa entediada, desencadeia uma busca por parte de seu marido e de sua filha, que desembarcam em Cabul. A recomendação etária é para 14 anos, e a retirada de convites é a partir das 13 horas, no Teatro Municipal. “Casa/Cabul” será encenado novamente no domingo, para fechar a programação da Semana.

Um show musical com o grupo Mawaca encerra as atividades do sábado, às 20 horas, no Teatro do SESI. A capacidade é de 144 lugares e os ingressos serão distribuídos uma hora antes da apresentação, no SESI.

A programação da SLAMC se encerra no domingo (26). No Sesc, às 11 horas, será apresentado “E se as Histórias Fossem Diferentes?”, com a Cia Truks (São Paulo). Os ingressos podem ser retirados no Sesc, no dia da apresentação, a partir das 9 horas.

A Cia Tarcio Costa apresenta “Bate Lata e Vira Lata”, às 17 horas, na Praça do Daae, na programação do Choro das Águas, seguido por show musical com Alex Lima, às 18 horas. O espetáculo “Casa/Cabul” encerra a programação às 20 horas, no Teatro Municipal.

A SLAMC conta com o apoio cultural do Banco do Brasil, Novo Hotel Municipal e Bella Capri. Toda a programação é gratuita

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