Nada é mais prazeroso do que ver um grupo jovem com muita criatividade e já com estilo próprio. O Grupo Preto no Branco de São Carlos, nos fez rir muito com a sua divertida farsa: Isabela, a astróloga de araque, retomando as personagens e convenções da Commedia dell’ arte, embora sem o uso de máscaras, o Grupo usou e abusou dos recursos sonoros em cena, música ao vivo, composta ou parodiada por eles; um excelente trabalho de corpo, destaque para Arlequino, e interpretações no ponto, impossível não se apaixonar por Briguela.
O texto bem aos moldes da Commedia dell’arte, é uma intriga amorosa, na qual o velho Pantaleão deseja se casar com Isabela, que ama Florindo, filho de Pantaleão, mas com a intervenção dos criados tudo se resolve, até mesmo a grande dívida de Pantaleão para com Matamoros. Mas se a intriga é bem conhecida do gênero, as intervenções e atualizações feitas pelo Grupo são bastante originais, impagável a música de Sidney Magal, o meu sangue ferve por você, no meio do duelo entre Matamoros e Arlequino e outros grandes momentos no qual o improviso é muito bem explorado em cena.
O pano de fundo, ou cenário, muito simples, bem ao gosto do gênero, é composto por uma cortina de retalhos, num delicioso “abrasileiramento” da proposta, no chão um semicírculo feito por uma corda, e estava delimitado o palco, os atores sentados do lado de lá desta produziam os sons, a música e outras intervenções na cena, nada mais simples e nada mais teatral.
Quem não foi à Escola Municipal de Dança Iracema Nogueira perdeu um ótimo espetáculo e a possibilidade de ver o novo prédio, muito bonito. Boa sorte ao pessoal do Preto no Branco e que eles continuem investindo neste caminho, que nós estaremos na platéia sempre que possível.
Flávia Regina Marquetti
